Empresas desistem de 142 usinas solares no Nordeste devido a cortes forçados de geração e sobrecarga no sistema. Entenda os impactos e os prejuízos.
Olyvio Marques
Editor · Energia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de setembro de 2026. Um total de 142 projetos de usinas solares foram abandonados no Nordeste nos últimos dois anos, em um movimento que expõe uma crise no setor de energias renováveis. Empresas como Solatio, Atiaia, Rio Energy e Rio Alto estão desistindo de empreendimentos em estados como Pernambuco, Sergipe, Bahia e Paraíba, citando como principal motivo os cortes forçados na geração de energia, conhecidos como "curtailment", que inviabilizam economicamente os projetos.
O principal fator por trás das desistências é o "curtailment", uma medida adotada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar sobrecarga na rede. O Nordeste, que concentra grande parte da geração de energia renovável do país, acumulou 84% desses cortes no último trimestre, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Isso ocorre por duas razões principais:
A desistência dos projetos representa um prejuízo significativo para a região. Apenas em 2025, 141 usinas (eólicas e solares) que devolveram suas outorgas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deixaram de realizar um investimento total de R$ 18,9 bilhões. A maior parte desses recursos, entre 90% e 95%, seria destinada ao Nordeste. A perda de receita para as geradoras da região devido aos cortes foi estimada em cerca de R$ 6 bilhões somente em 2025.
Empresas como a espanhola Solatio, por exemplo, cancelaram dez usinas em Pernambuco, citando o "curtailment significativo na região" como a principal razão. A Rio Energy também desistiu de projetos na Bahia, atribuindo a decisão ao "quadro de curtailment sistêmico" que comprometeu a viabilidade dos empreendimentos.
Curtailment é a redução ou interrupção forçada da geração de energia elétrica, determinada pelo ONS. A medida é necessária para garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda de eletricidade em tempo real, evitando instabilidade ou apagões no Sistema Interligado Nacional (SIN).
O Nordeste possui as melhores condições de sol e vento do Brasil, concentrando a maior parte dos parques de energia renovável. No entanto, a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo de crescimento da geração, criando um "gargalo" que impede o escoamento do excedente de energia para outros mercados consumidores, como o Sudeste.
Sim. A geração distribuída, embora positiva para a matriz energética, não é controlada diretamente pelo ONS. Em momentos de muito sol, a produção desses pequenos sistemas eleva a oferta total de energia, forçando o operador a cortar a geração das grandes usinas para manter a estabilidade da rede, o que gera prejuízos para os investidores desses grandes projetos.
O abandono de 142 usinas solares no Nordeste evidencia um paradoxo: o Brasil tem abundância de energia limpa, mas enfrenta dificuldades para aproveitá-la devido a gargalos de infraestrutura e a um modelo de mercado que precisa de ajustes. A situação acende um alerta para a necessidade de investimentos urgentes em linhas de transmissão e de um redesenho das regras do setor para garantir a previsibilidade e a segurança necessárias para atrair e manter investimentos em energias renováveis.
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