Após adiar o sonho por décadas, Juliana Borges passou no vestibular de medicina aos 47. Aos 53, realizou o sonho e recebeu o diploma das mãos de seus dois filhos, também médicos. Conheça a jornada.
Olyvio Marques
Editor · Carreira · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Aos 53 anos, Juliana Julien Borges realizou o sonho de se formar em Medicina, uma meta adiada por décadas. O momento mais simbólico de sua jornada aconteceu na formatura, quando recebeu o diploma das mãos de seus dois filhos mais velhos, Antônio e Pedro, que já são médicos, conforme relatado ao G1 e à revista Marie Claire.
Nascida em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), Juliana sempre sonhou em ser médica, mas as dificuldades financeiras a impediram de seguir o caminho na juventude. Após dois anos de cursinho pré-vestibular sem aprovação em universidades públicas, ela optou por cursar Farmácia e Bioquímica na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), concluindo em 1996, e, paralelamente, Direito, de acordo com a Marie Claire.
Durante a faculdade, conheceu seu marido, Wallace, então estudante de medicina. A vida seguiu, e o casal teve quatro filhos: Antonio, Pedro, e os gêmeos João e Vitor. O sonho da Medicina ficou "guardadinho", como ela mesma disse ao G1.
A vontade de ser médica ressurgiu com força quando seus filhos começaram a trilhar o mesmo caminho. Com os quatro filhos cursando Medicina — os dois mais velhos já formados e os gêmeos prestes a se formar —, Juliana sentiu que era sua hora. "Meu sonho sempre foi fazer medicina, meus filhos estão fazendo, eles têm capacidade, eu também tenho", disse a si mesma, segundo o G1.
Em 2018, aos 47 anos, ela parou tudo e se dedicou por um ano inteiro aos estudos, usando as apostilas dos próprios filhos. A dedicação valeu a pena: em 2019, foi aprovada no exame vestibular da Universidade de Rio Verde (UniRV), em Goiás.
A jornada universitária não foi simples. Morando em Brasília, Juliana enfrentava uma rotina de 162 km diários para ir e voltar do campus em Formosa (GO), como detalhou ao G1. Além do cansaço, ela lidou com o etarismo. "Ouvi coisas como ‘Para que estudar com essa idade?’ ou ‘Devia estar aposentada’", contou à Marie Claire. No início, sentia-se tímida e deslocada, mas aos poucos encontrou seu espaço entre outros alunos mais velhos.
Apesar dos desafios, a maturidade trouxe um novo olhar para a profissão. "A maturidade traz leveza, paciência e empatia. Eu via o paciente com mais compaixão. Acho que estudei no momento certo da vida", afirmou.
Após seis anos de dedicação, a formatura em dezembro de 2024 coroou sua trajetória de forma inesquecível. O diploma de médica foi entregue por seus filhos Antonio e Pedro. "Foi o dia mais emocionante da minha vida. Geralmente, são os pais que entregam o diploma aos filhos. No meu caso, foram os filhos que me diplomaram. Foi simbólico, foi lindo", disse Juliana à Marie Claire.
Hoje, ela atua como professora na mesma faculdade onde se formou e faz pós-graduação em Psiquiatria, provando que, como disse em entrevista ao G1, "os sonhos não envelhecem".
Juliana Borges sonhava com a Medicina desde jovem, mas não passou no vestibular e seguiu outras carreiras. Aos 47 anos, inspirada pelos quatro filhos que também seguiram a área, voltou a estudar e foi aprovada. Formou-se aos 53, recebendo o diploma de seus dois filhos mais velhos, já médicos.
Sim. A história de Juliana Borges é um exemplo de que é possível ser aprovado no vestibular de medicina e concluir o curso na maturidade. Sua trajetória reforça a frase que ela mesma citou ao G1: "Os sonhos não envelhecem".
Os principais desafios incluem conciliar os estudos com a rotina familiar, enfrentar longos deslocamentos e lidar com o preconceito de idade (etarismo) por parte de colegas mais jovens, como relatado por Juliana em suas entrevistas.
A jornada de Juliana Julien Borges é uma poderosa inspiração sobre perseverança e a busca por sonhos, independentemente da idade. Sua história mostra que o apoio da família e a determinação são capazes de superar décadas de espera e desafios como o exigente exame vestibular de Medicina. Como ela concluiu à Marie Claire: "Se você tem um sonho, vai lá e faz. O que envelhece é o medo, não o sonho."
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