Popular na infância de muitos brasileiros, o Biotônico Fontoura continha 9,5% de álcool em sua fórmula original. Entenda a história e a mudança na composição.
Olyvio Marques
Editor · História · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sim, o Biotônico Fontoura, famoso fortificante que marcou a infância de gerações de brasileiros, continha 9,5% de álcool etílico em sua composição original. Criado em 1910, o produto tinha um teor alcoólico similar ao de um vinho espumante, o que hoje seria impensável para um item destinado a crianças. Atualizado em 7 de julho de 2026.
A história do Biotônico Fontoura começou em 1910, quando o farmacêutico Cândido Fontoura Silveira (1885-1974) desenvolveu uma fórmula para tratar a fraqueza de sua esposa, Elvira Siqueira de Castro. O preparado incluía fosfatos, sais de ferro e vinho espanhol, sendo este último o responsável pela presença de álcool, conforme relatam múltiplas fontes. Na época, acreditava-se que a substância poderia ser benéfica e estimular o apetite das crianças, um entendimento que mudou completamente com o avanço da ciência.
A popularização do fortificante está diretamente ligada ao escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Após usar o produto para combater o cansaço e a fadiga, Lobato tornou-se um grande entusiasta e, segundo relatos, foi ele quem sugeriu o nome "Biotônico Fontoura", unindo "tônico da vida" ao sobrenome do criador. A parceria entre o farmacêutico e o escritor foi crucial para o sucesso da marca.
A estratégia de marketing mais genial envolveu o personagem Jeca Tatu. Originalmente retratado por Lobato como um caipira preguiçoso, o escritor depois revisou sua visão, afirmando que o personagem não era assim, "ele estava assim", doente. Em 1924, surgiu o Jeca Tatuzinho, uma versão que se tratava e ficava saudável, ensinando noções de higiene. Cândido Fontoura comprou os direitos do personagem, que se tornou o garoto-propaganda do Biotônico, associando o produto à recuperação da saúde em um Brasil onde verminoses como o "amarelão" (ancilostomose) eram comuns.
A presença de álcool na fórmula permaneceu por décadas. A mudança ocorreu em 2001, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu que tônicos, fortificantes e estimuladores de apetite destinados a crianças contivessem álcool etílico. A medida obrigou a empresa a reformular o Biotônico Fontoura, retirando o etanol de sua composição. Atualmente, a marca, que pertence à Hypera Pharma desde 2007, é comercializada como suplemento alimentar.
A fórmula original do Biotônico Fontoura continha 9,5% de álcool etílico, uma concentração semelhante à de um vinho espumante e quase o dobro de uma cerveja comum no Brasil.
A presença de álcool era devido à inclusão de vinho espanhol na fórmula original de 1910. Naquela época, não havia o entendimento atual sobre os riscos do álcool para crianças, e acreditava-se que a substância ajudava a estimular o apetite.
O álcool foi retirado da composição do Biotônico Fontoura em 2001, após uma determinação da Anvisa que proibiu a substância em fortificantes e tônicos infantis.
A história do Biotônico Fontoura é um retrato da evolução da saúde e da publicidade no Brasil. Nascido de uma necessidade doméstica e impulsionado pela genialidade de Monteiro Lobato, o fortificante com 9,5% de álcool marcou o século 20. Sua reformulação em 2001 reflete a adaptação da indústria farmacêutica a novas regulamentações e a um maior conhecimento científico, mas o produto permanece no imaginário afetivo de milhões de brasileiros.
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