Em 1908, uma viagem pioneira de 37 horas marcou a história da primeira estrada pavimentada da América do Sul. Saiba como foi a aventura do Motobloc.
Olyvio Marques
Editor · História · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A primeira viagem de carro pelo Caminho do Mar, que liga São Paulo a Santos, levou 37 horas para ser concluída em abril de 1908. A bordo de um veículo francês Motobloc, quatro aventureiros enfrentaram a precária Estrada do Vergueiro, superando atoleiros e rochas para completar o percurso histórico na via considerada a primeira estrada pavimentada da América do Sul. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A histórica travessia não foi planejada, mas sim impulsionada por uma rivalidade com o aventureiro francês Conde Lesdain. Conforme relatado pelo site Memória Santista, Lesdain havia acabado de completar uma viagem de 33 dias de carro do Rio de Janeiro a São Paulo e anunciou que seu próximo desafio seria descer a serra até Santos. Incomodado com a ideia de um estrangeiro realizar o feito, o entusiasta de automóveis Antônio Prado Junior decidiu se antecipar. Ele reuniu os amigos Clóvis Glicério, Bento Canabarro e o jornalista Mario Cardim para realizar a viagem primeiro.
A jornada começou na madrugada de 16 de abril de 1908 com dois carros, um Motobloc e um Sizaire et Naudin. No entanto, após o primeiro dia de dificuldades, o segundo veículo retornou a São Paulo, deixando apenas o Motobloc com os quatro pioneiros para continuar a descida da serra, conforme detalhado em reportagem original de Mario Cardim para o jornal O Estado de S. Paulo.
O trajeto de 72 quilômetros estava em péssimas condições. Das 37 horas totais da viagem, o carro esteve em movimento por apenas 25 horas. As 12 horas restantes foram gastas em descanso e, principalmente, em trabalho pesado para desobstruir o caminho. Os aventureiros, equipados com pás e enxadas, enfrentaram atoleiros profundos, como um apelidado de "Sepultura", e precisaram até dinamitar rochas que bloqueavam a passagem na serra, uma via abandonada desde a inauguração da ferrovia em 1867.
A chegada a Santos, no final da tarde de 17 de abril de 1908, foi um marco. O feito ajudou a mudar a mentalidade das autoridades, que passaram a ver o transporte rodoviário como uma alternativa viável ao ferroviário. Em 1938, uma placa de bronze foi instalada na entrada de Santos para homenagear os quatro pioneiros. A estrada, que recebeu pavimentação de concreto na década de 1920, foi fechada para o tráfego de veículos em 1985 e hoje é o parque ecoturístico Caminhos do Mar.
A primeira viagem de automóvel entre São Paulo e Santos, realizada em abril de 1908, levou um total de 37 horas para ser concluída.
Os quatro responsáveis pelo feito foram Antônio Prado Junior, Clóvis Glicério, Bento Canabarro e o jornalista Mario Cardim, que documentou a aventura.
O veículo utilizado foi um Motobloc, um carro de fabricação francesa. Para a viagem, ele foi adaptado, circulando sem capota e paralamas.
Não. A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), também conhecida como Estrada Velha de Santos, foi fechada ao tráfego de veículos em 1985 e hoje funciona como um parque ecoturístico para pedestres.
A épica jornada de 37 horas de Antônio Prado Junior e seus companheiros em 1908 não foi apenas uma aventura, mas um evento fundamental que demonstrou o potencial do automóvel e impulsionou o desenvolvimento do transporte rodoviário no Brasil, transformando para sempre a conexão entre o planalto e o litoral paulista.
Entenda o pensamento pragmático de Napoleão Bonaparte. A análise de suas frases revela por que a proatividade dos 'astutos' era muitas vezes mais útil para seus objetivos do que a tranquilidade dos 'honestos'.
Um entusiasta britânico manteve um raro caça Spitfire em sua garagem por mais de 20 anos. Conheça a história de Peter Arnold e a venda da relíquia histórica.
Construído em um penhasco a 300 metros de altura, o Mosteiro de Sümela na Turquia atrai turistas com sua história e afrescos. Saiba por que ele está na lista da Unesco.
Conheça a trágica história de Sebastiana de Melo Freire. Órfã e herdeira de uma fortuna, viveu 40 anos isolada em um casarão no Bixiga, que virou seu manicômio particular. Entenda o caso.