Vê lagartixas com frequência e não sabe o motivo? A ciência revela que a presença delas indica um controle natural de pragas. Entenda os benefícios.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A presença frequente de lagartixas em casa costuma ser um bom sinal e a ciência explica o porquê. Atualizado em 22 de junho de 2026. Longe de ser um problema, a aparição desses répteis indica que seu lar oferece alimento e abrigo, transformando-as em aliadas no controle natural de pragas como mosquitos e baratas.
A aparição de lagartixas, especialmente a espécie mais comum no Brasil, a Hemidactylus mabouia (lagartixa-doméstica-tropical), não ocorre por acaso. Segundo especialistas, dois fatores principais transformam as residências em um ambiente ideal para elas.
O principal motivo é a busca por comida. Lagartixas são predadoras eficientes e se alimentam de uma variedade de insetos e aracnídeos, como mosquitos, moscas, traças, baratas, pequenas aranhas e até escorpiões. Conforme aponta o Estadão, a iluminação artificial das casas atrai esses insetos durante a noite, criando um "banquete" para as lagartixas.
Como animais ectotérmicos, as lagartixas dependem da temperatura externa para regular seu corpo. As paredes de alvenaria retêm calor, oferecendo um refúgio térmico ideal. Além disso, frestas, vãos de telhados e espaços atrás de móveis e quadros servem como esconderijos seguros contra predadores, como pássaros, de acordo com o Correio Braziliense.
A presença desses pequenos répteis traz vantagens significativas para o ambiente doméstico. Elas atuam como um controle biológico natural de pragas, diminuindo a necessidade de usar inseticidas químicos, que podem ser agressivos à saúde.
Não. É um mito antigo que as lagartixas sejam venenosas. Elas são completamente inofensivas, não possuem veneno e não atacam. Caso se sintam muito acuadas, podem morder, mas o ataque é comparado a um "leve beliscão", sem força para ferir a pele, como explica a revista Crusoé. O único cuidado recomendado é higienizar superfícies por onde elas passam, pois suas fezes podem conter bactérias como a Salmonella.
Esse mecanismo de defesa é chamado de autotomia caudal. Quando se sentem ameaçadas por um predador, elas soltam a cauda, que continua se movendo para distrair o agressor enquanto fogem. Segundo o herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues em entrevista ao Estadão, uma nova cauda se regenera depois.
O termo popular refere-se à platinosomose felina, uma doença parasitária que afeta gatos que ingerem lagartixas ou outros répteis infectados. A condição não afeta seres humanos.
A ciência confirma que encontrar lagartixas em casa é um sinal de um pequeno ecossistema em equilíbrio, onde elas atuam como controladoras naturais de pragas. Em vez de eliminá-las, o ideal é tolerar sua presença, compreendendo seu papel benéfico no ambiente doméstico. Se o número de lagartixas for muito alto, isso pode indicar uma infestação de insetos, sendo mais eficaz vedar frestas e reduzir as fontes de alimento para controlar a situação de forma natural.
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