O que parecia lenda é real. Cientistas japoneses registraram como lulas usam jatos de água para voar por 30 metros. Entenda o mecanismo e por que o fazem.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O que antes parecia um conto de marinheiro foi confirmado pela ciência: lulas podem voar. Pesquisadores japoneses fotografaram e descreveram o mecanismo que permite a estes cefalópodes se lançarem para fora do oceano e planar por distâncias de até 30 metros. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O estudo, liderado por Jun Yamamoto da Universidade de Hokkaido, observou um cardume de cerca de 100 lulas da espécie Todarodes pacificus, conhecida como Lula Voadora Japonesa, no Oceano Pacífico. A pesquisa, publicada na revista Marine Biology, provou que o comportamento é real e altamente sofisticado.
O voo das lulas não é um simples salto, mas um processo aerodinâmico complexo que envolve quatro etapas principais, conforme descrito pelos cientistas:
A velocidade atingida por estes moluscos durante o voo é impressionante. Os pesquisadores registraram uma velocidade de até 11,2 metros por segundo. Para efeito de comparação, o atleta Usain Bolt alcançou uma média de 10,31 metros por segundo durante os Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Durante o voo, que dura cerca de três segundos, as lulas conseguem percorrer uma distância superior a 30 metros.
A principal razão para este comportamento é uma estratégia de defesa para escapar de predadores marinhos. Ao se lançar no ar, a lula consegue fugir de uma ameaça iminente na água. No entanto, essa tática também as torna vulneráveis a novos predadores. Os pesquisadores apontam que, ao voar, as lulas podem se tornar uma fonte de alimento para aves marinhas, abrindo uma nova frente de perigo.
A espécie mais estudada e documentada por sua capacidade de voo é a Todarodes pacificus, também conhecida como Lula Voadora Japonesa. Outras espécies pequenas, como a Stenoteuthis pteropus, também exibem comportamento semelhante.
De acordo com as observações científicas, uma lula consegue permanecer no ar por aproximadamente três segundos, tempo suficiente para percorrer mais de 30 metros.
Cientistas estimam que não. O mecanismo de voo depende de uma relação específica entre peso, tamanho e a força do jato de propulsão. Lulas gigantes, como a lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni), que pode atingir até 14 metros, seriam pesadas demais para se lançar no ar da mesma forma.
A existência de lulas voadoras é um fato científico comprovado que revela a incrível capacidade de adaptação dos cefalópodes. O que era considerado um mito de marinheiros é, na verdade, um mecanismo de sobrevivência sofisticado, que combina propulsão a jato e aerodinâmica para permitir que esses animais dominem brevemente os céus como uma forma de escapar dos perigos do mar.
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