O Dalatias licha, maior vertebrado bioluminescente, não usa sua luz só para se camuflar. Entenda como um 'farol biológico' o ajuda a caçar no fundo do oceano.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O maior tubarão luminoso do mundo, o tubarão-pipa (Dalatias licha), pode usar seu brilho não apenas para se camuflar, mas também como uma espécie de "farol" para localizar presas nas profundezas do oceano. A descoberta, detalhada em um estudo publicado na revista científica iScience, revela uma estratégia de caça sofisticada para um dos predadores mais lentos do mar. Atualizado em 7 de agosto de 2026.
Nas profundezas do oceano, conhecidas como "zona crepuscular" (entre 200 e 1000 metros), a luz solar é extremamente fraca. Muitos animais marinhos usam a bioluminescência para reduzir a própria silhueta contra a claridade que vem da superfície, conforme aponta um estudo publicado na Frontiers in Marine Science. Essa estratégia, chamada de contra-iluminação, ajuda o animal a se misturar ao ambiente quando visto de baixo, evitando predadores.
No caso do tubarão-pipa, que praticamente não possui predadores naturais conhecidos, essa explicação levantou suspeitas de que o brilho poderia ter outras funções além da defesa, de acordo com pesquisadores da Université Catholique de Louvain, na Bélgica.
A análise de oito espécimes capturados na Nova Zelândia revelou que a luz não se limitava à parte inferior do corpo. A emissão luminosa se espalha para os lados, com maior intensidade na região do focinho, mandíbula e nadadeiras peitorais. Segundo os cientistas, essa iluminação lateral poderia funcionar como um "farol biológico", permitindo ao tubarão enxergar o fundo do mar e detectar presas próximas.
Essa dupla função seria crucial para o tubarão-pipa, considerado o tubarão de natação mais lenta já registrado, com uma velocidade de apenas 13 centímetros por segundo. Apesar da lentidão, sua dieta inclui animais rápidos como outros tubarões e cefalópodes (lulas e polvos). A capacidade de se aproximar discretamente usando a luz para caçar seria uma vantagem significativa.
O maior vertebrado bioluminescente conhecido é o tubarão-pipa (Dalatias licha), também chamado de kitefin shark. Ele pode atingir até 1,80 metros de comprimento, sendo significativamente maior que outras espécies de tubarões luminosos, que raramente ultrapassam 60 centímetros.
O tubarão-pipa habita as águas profundas de oceanos ao redor do mundo, incluindo a costa da Nova Zelândia, onde os espécimes do estudo foram encontrados. Ele vive na zona mesopelágica, ou "zona crepuscular", entre 200 e 1.000 metros de profundidade, onde a luz solar é quase inexistente.
O estudo apontou que a nadadeira dorsal também emite luz, embora com intensidade dez vezes menor que a barriga. Essa característica não se encaixa na teoria da camuflagem e seu propósito ainda é um mistério. Os pesquisadores especulam que poderia servir para comunicação entre indivíduos da mesma espécie ou para atrair presas, mas são necessárias mais observações para confirmar essas hipóteses.
A pesquisa indica que a bioluminescência do tubarão-pipa é mais complexa do que se imaginava, desempenhando um papel duplo tanto na defesa (camuflagem) quanto no ataque (caça). Embora as evidências sejam fortes, os cientistas ressaltam que observações diretas do comportamento do animal em seu habitat natural são necessárias para confirmar definitivamente o uso do brilho como um "farol" para encontrar alimento.
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