Manoella Treis, doutora aos 24 anos, foi aprovada para professora no RS, mas laudo médico alegou falta de estrutura de saúde. Entenda a disputa judicial.
Olyvio Marques
Editor · Educação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A pesquisadora Manoella Treis, de 29 anos, aprovada em concurso público para professora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), foi impedida de tomar posse do cargo. A decisão, baseada em um laudo médico, alega que o município de Veranópolis (RS) não possui estrutura de saúde adequada para suas necessidades, fato que é contestado pela candidata e agora é tema de uma disputa judicial. Atualizado em 6 de setembro de 2026.
Segundo o IFRS, a decisão de considerar Manoella "inapta" não questiona sua capacidade profissional, mas aponta uma "incompatibilidade de exercício da docência no município escolhido" devido à falta de estrutura de saúde, conforme nota da instituição (Fonte: G1). A junta médica, em perícia realizada em 26 de maio, concluiu que a cidade não seria adequada para o tratamento contínuo da pesquisadora, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e uma doença inflamatória autoimune (Fonte: ICL Notícias).
Manoella Treis e sua defesa contestam veementemente a decisão, argumentando que a medida é discriminatória e não se sustenta nos fatos. A disputa agora está na esfera judicial.
O principal argumento de Manoella é que ela já atuou como professora substituta no mesmo campus do IFRS em Veranópolis, entre 2023 e 2024. Durante esse período, ela já realizava o mesmo tratamento com medicamento injetável sem que isso comprometesse seu trabalho (Fonte: G1). "Do ponto de vista da saúde, posso dizer que nunca estive tão bem", afirmou a pesquisadora.
A defesa também questiona a avaliação sobre a infraestrutura médica da cidade. O Hospital Comunitário São Peregrino Lazziozi, de Veranópolis, informou que possui serviço de urgência e emergência e condições para aplicar os medicamentos imunobiológicos necessários para o tratamento de Manoella (Fonte: POA24Horas).
O caso foi levado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma decisão inicial, o TRF-4 negou o pedido de liminar para a nomeação imediata. O desembargador entendeu que, por enquanto, não há elementos suficientes para afastar a presunção de legitimidade do laudo médico e que o caso exige uma análise mais aprofundada, com produção de provas (Fonte: ICL Notícias). O processo principal, no entanto, segue em tramitação.
Manoella Treis ganhou notoriedade nacional em 2021 ao concluir seu doutorado em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aos 24 anos. Ela concorreu à vaga no IFRS pela cota para pessoas com deficiência (PcD) devido ao TEA e à sua condição inflamatória crônica (Fonte: G1).
Ela foi considerada "inapta" pela junta médica do IFRS devido a uma suposta "incompatibilidade geográfica", alegando que a cidade de Veranópolis não teria estrutura de saúde adequada para seu tratamento contínuo.
Sim. Manoella Treis atuou como professora substituta no mesmo campus do IFRS em Veranópolis entre 2023 e 2024, enquanto já realizava o mesmo tratamento de saúde.
Até o momento, a Justiça Federal (TRF-4) negou um pedido de liminar para sua posse imediata, mantendo a decisão administrativa. O processo principal, no entanto, ainda está em andamento e não teve uma decisão definitiva.
O caso de Manoella Treis expõe um debate sobre os critérios de avaliação em concursos públicos para pessoas com deficiência e condições crônicas de saúde. Enquanto a pesquisadora defende seu direito ao trabalho, conquistado por mérito, a instituição se baseia em um laudo médico contestado. A decisão final sobre a posse de Manoella agora depende do andamento do processo judicial.
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