Grupo de 39 estudantes do curso de Medicina da Unisa acusa a universidade de retaliação após protestos. Entenda a disputa judicial sobre as reprovações.
Olyvio Marques
Editor · Educação · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um grupo de 39 estudantes do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, trava uma batalha judicial contra a instituição após serem reprovados. Os alunos, que estão na fase final do curso, alegam que a medida é uma retaliação por protestos realizados em abril deste ano, que cobravam melhorias na qualidade do ensino. Atualizado em 25 de agosto de 2026.
O conflito chegou à Justiça e tem se mostrado complexo. Em um primeiro momento, os estudantes obtiveram uma liminar na 27ª Vara Cível de São Paulo que suspendia as reprovações e garantia a rematrícula provisória, sob pena de multa diária. No entanto, a Unisa recorreu e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reverteu a decisão, isentando a universidade de rematricular os alunos. O desembargador considerou os fatos complexos e o risco à saúde pública como fatores para a suspensão da liminar, segundo o portal ConJur.
A raiz do problema está em um programa de bonificação chamado “Construindo Resultados”, que previa pontos extras com base em exercícios online. As versões de alunos e universidade sobre o que aconteceu são opostas.
Os alunos afirmam que cumpriram as regras do programa de bônus, mas a Unisa aplicou critérios novos, sem aviso prévio e de forma retroativa, para invalidar suas atividades e negar a pontuação extra. De acordo com eles, a reprovação foi uma punição da instituição contra as lideranças e participantes dos protestos de abril, que apontavam problemas como:
Por outro lado, a Unisa sustenta que os estudantes cometeram fraude para obter as notas. A universidade alega que eles usaram robôs automatizados ou acessaram gabaritos para responder a centenas de questões em segundos, apesar de apresentarem baixo rendimento nas avaliações presenciais. A mantenedora da Unisa, Obras Sociais e Educacionais de Luz (OSEL), chegou a pedir a abertura de um inquérito policial no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo para apurar a suspeita de adulteração de documentos.
Oficialmente, os 39 alunos foram reprovados por não atingirem as médias necessárias. No entanto, eles contestam o resultado, afirmando que a Unisa invalidou de forma irregular pontos extras de um programa de bonificação como retaliação a protestos por melhores condições de ensino.
A universidade acusa os alunos de fraude para obter os pontos extras. Segundo a instituição, eles teriam utilizado robôs ou gabaritos para resolver os exercícios online, o que motivou a abertura de um inquérito policial.
Atualmente, a decisão favorece a universidade. Uma liminar que garantia a rematrícula dos alunos foi revertida pelo TJ-SP. O mérito do caso, contudo, ainda não foi julgado, e a disputa judicial continua em aberto.
O impasse entre os estudantes de Medicina e a Unisa segue sem uma solução definitiva. Enquanto os alunos lutam pelo que consideram seu direito de continuar o curso, a universidade se defende com graves acusações de fraude. O caso expõe um profundo conflito acadêmico e administrativo que agora aguarda os próximos capítulos no sistema judiciário.
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