O parlamentar foi preso pela segunda vez em uma ação que investiga a lavagem de dinheiro para a facção criminosa no transporte público de São Paulo. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O vereador licenciado de São Paulo, Senival Moura (PT), foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28) em uma operação que investiga a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital. Atualizado em 28 de outubro de 2026.
A ação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público. Moura estava em liberdade desde 5 de agosto, após uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) relaxar sua prisão anterior, ocorrida em junho no âmbito da Operação Última Parada.
A Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva contra investigados ligados à empresa Transunião Transportes S.A., suspeita de ser usada para lavar dinheiro do PCC. Além de Senival Moura, outras quatro pessoas foram presas, incluindo Lourival de França Monário e Jair Ramos de Freitas. Dois investigados, Devanil Sousa Nascimento e Leonel Moreira Martins, não foram localizados e são considerados foragidos, conforme apurado pelo G1.
As prisões foram adiadas devido à legislação eleitoral, que proíbe detenções que não sejam em flagrante em determinado período antes das eleições. O inquérito da Operação Última Parada foi concluído antes do pleito, e 21 pessoas foram denunciadas à Justiça.
A investigação teve início em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a empresa era usada como um instrumento para a lavagem de capitais do PCC. A Transunião teria recebido mais de R$ 300 milhões em recursos públicos apenas em 2025 para operar linhas de ônibus na capital, de acordo com a CNN Brasil.
Promotores apontam Senival Moura como uma das figuras centrais do esquema. Embora não ocupasse um cargo formal, ele seria responsável pela gestão financeira da empresa e por decisões operacionais. Investigações revelaram que veículos da frota estavam registrados em nome de familiares do vereador, como sua esposa e filho, em uma suposta tentativa de ocultar patrimônio, segundo o Estadão Conteúdo.
Durante a operação desta quarta-feira, as autoridades apreenderam uma quantia significativa em dinheiro e bens de luxo. Foram recolhidos R$ 158.919 em espécie, além de US$ 2.417 e € 1.465. A polícia também apreendeu dez veículos, incluindo modelos como Porsche Macan, BMW e RAM Rampage, além de aproximadamente 40 relógios de luxo e joias.
A Justiça também determinou o bloqueio de um vasto patrimônio ligado aos investigados:
A defesa de Senival Moura manifestou discordância com a nova ordem de prisão, argumentando que a medida "não encontra fundamentação concreta suficiente". Em nota divulgada à imprensa, os advogados afirmam que a decisão se baseia em elementos que já constavam na denúncia do Ministério Público, sem a apresentação de fatos novos que justifiquem a detenção. Moura nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro e reafirma sua inocência.
Senival Moura foi preso novamente após o Ministério Público recorrer da decisão que o soltou em agosto. A Justiça acatou o pedido e expediu um novo mandado de prisão preventiva, com base nas investigações que o apontam como figura central em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC através da empresa de ônibus Transunião.
Segundo as investigações, embora não tivesse cargo formal, Moura exercia controle sobre a gestão financeira da Transunião. Ele é suspeito de usar familiares e terceiros como "laranjas" para ocultar a propriedade de bens, incluindo parte da frota de ônibus da empresa.
A Operação Última Parada é uma investigação conjunta da Polícia Civil (DEIC) e do Ministério Público (GAECO) que apura a infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo para lavagem de dinheiro. O principal alvo é a empresa Transunião Transportes S.A.
A nova prisão do vereador Senival Moura representa um desdobramento significativo na investigação sobre a influência do crime organizado no transporte de São Paulo. A operação resultou na apreensão de bens de luxo e no bloqueio de um patrimônio milionário, enquanto a defesa do parlamentar contesta a legalidade da detenção e prepara as medidas judiciais cabíveis.
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