Laudo da defesa de Daniel Vorcaro revela que centenas de arquivos foram alterados no celular do ex-banqueiro após apreensão pela PF. Saiba o que diz o documento.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma perícia técnica contratada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aponta que centenas de arquivos em seu celular foram criados e modificados após o aparelho ter sido apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. O laudo foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29) e questiona a integridade da prova central da Operação Compliance Zero. Atualizado em 30 de outubro de 2026.
O relatório, assinado pelo perito Marcos Monteiro, identificou uma série de atividades no aparelho enquanto ele já estava sob custódia do Estado. Segundo os documentos, as principais inconsistências ocorreram horas após a prisão de Vorcaro.
Apesar dos achados, o laudo ressalva que não é possível determinar quem operou o celular, qual a extensão das alterações ou se houve uma "adulteração deliberada". No entanto, a defesa argumenta que, sem explicações técnicas, essas atividades não podem ser classificadas como automáticas ou inofensivas.
A defesa de Vorcaro também alega falhas na cadeia de custódia do aparelho. O laudo aponta a falta de documentação sobre o rompimento de lacres e sobre quem manuseou o celular entre a apreensão e a perícia oficial. De acordo com o portal Poder360, o termo de apreensão não descrevia adequadamente os dispositivos nem registrava seu estado no momento da coleta.
Outro ponto central da contestação é a negativa de acesso aos dados brutos da extração forense (arquivos UFD ou UFDX). Os advogados receberam apenas um relatório em formato UFDR, que, segundo o perito, é suscetível a modificações sem deixar rastros evidentes.
Com base no laudo, a defesa de Vorcaro protocolou no STF dois pedidos principais: o acesso imediato aos dados brutos originais do celular e a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro. Os advogados sustentam que não é razoável mantê-lo preso enquanto pairam dúvidas sobre a integridade da principal prova da investigação.
Essa movimentação ocorre poucos dias após a Polícia Federal indiciar Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes em operações entre o Banco Master e o BRB.
A perícia contratada pela defesa encontrou centenas de arquivos criados e modificados após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal, incluindo o banco de dados do WhatsApp, além de registros de conexões USB e ativações da câmera.
Não. O laudo aponta as alterações, mas ressalta que não é possível determinar quem as fez, nem se houve uma "adulteração deliberada". A defesa usa o documento para questionar a integridade e a cadeia de custódia das provas.
Daniel Vorcaro está em prisão preventiva desde 4 de março de 2026, sob suspeita de tentar interferir nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A apresentação da perícia particular pela defesa de Daniel Vorcaro adiciona uma nova camada de complexidade à Operação Compliance Zero. Ao questionar a integridade da principal evidência, os advogados buscam não apenas a liberdade do ex-banqueiro, mas também minar a validade das provas que fundamentaram seu recente indiciamento pela Polícia Federal. A decisão do STF sobre o acesso aos dados brutos e a manutenção da prisão será decisiva para os próximos passos do caso.
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