Ataques massivos com enxames de drones a alvos como Moscou revelam como a Ucrânia explora falhas na defesa aérea russa. Entenda a estratégia por trás da ofensiva.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Ataques massivos com enxames de drones ucranianos estão expondo crescentes vulnerabilidades no sistema de defesa aérea da Rússia, antes considerado quase impenetrável. Uma ofensiva em 18 de junho contra Moscou, que atingiu uma importante refinaria de petróleo, evidenciou como a estratégia de Kiev está conseguindo contornar as barreiras russas e levar a guerra para o coração do país. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A Ucrânia aprimorou sua tática de ataque, combinando volume, tecnologia e inteligência para sobrecarregar os sistemas russos. A estratégia se baseia em três pilares principais, segundo analistas militares.
Ao lançar centenas de drones simultaneamente de múltiplas direções, a Ucrânia satura a capacidade de resposta russa. Mesmo que a maioria seja abatida, os poucos que conseguem passar são suficientes para atingir alvos críticos, como refinarias e instalações militares, conforme aponta o analista Ruslan Leviev à DW.
Inicialmente, a Rússia concentrava suas melhores defesas na fronteira e na linha de frente. Os ataques ucranianos a alvos distantes, como Moscou e São Petersburgo, forçaram o Kremlin a espalhar seus sistemas de defesa por um território vasto, criando brechas e transformando uma defesa em camadas em uma "colcha de retalhos", de acordo com o especialista Anatoliy Khrapchynskyi.
Kiev também tem mirado diretamente em componentes da defesa russa, como sistemas de radar e lançadores antiaéreos. As Forças Armadas da Ucrânia afirmam ter destruído mais de 1.400 desses elementos desde o início da invasão em 2022, enfraquecendo a capacidade de detecção e interceptação da Rússia.
As dificuldades da Rússia não se devem apenas à estratégia ucraniana, mas também a falhas estruturais em seu próprio aparato de defesa.
Sistemas russos como o Pantsir-S1 foram projetados para combater aeronaves militares convencionais e mísseis, que são grandes e feitos de metal. Eles são "cegos" para os drones modernos, que são menores e fabricados com materiais compostos como plástico, dificultando sua detecção por radar, segundo especialistas ouvidos pela CNN e DW.
As sanções impostas pelo Ocidente dificultam o acesso da Rússia a componentes eletrônicos e tecnologia necessários para modernizar seus sistemas de defesa. Isso impede que Moscou se adapte à rápida evolução dos drones ucranianos e pode estar causando escassez de mísseis interceptadores, como os do sistema S-300.
O ataque de 18 de junho a Moscou resultou em cenas que expuseram uma resposta desorganizada. Vídeos verificados pela CNN mostraram soldados disparando sistemas antiaéreos portáteis de uma rodovia movimentada. Em outro incidente, um míssil de defesa russo aparentemente errou o alvo e atingiu um tanque de armazenamento de petróleo, causando um grande incêndio em uma refinaria responsável por 40% do combustível da região.
Eles combinam táticas de enxame para sobrecarregar as defesas, voam em baixa altitude para evitar radares e exploram uma rede de defesa russa que foi forçada a se dispersar por um território imenso, criando brechas.
Não totalmente. Analistas estimam que mais de 90% dos drones são abatidos. No entanto, a estratégia ucraniana se baseia no fato de que os poucos que conseguem passar são suficientes para causar danos significativos a alvos estratégicos.
Os ataques visam atingir a infraestrutura que financia a guerra, como refinarias de petróleo, e levar as consequências do conflito para a população russa, demonstrando que a guerra também pode afetar o cotidiano dentro do país.
A crescente eficácia dos ataques de drones ucranianos revela uma mudança significativa no conflito. A Ucrânia está explorando com sucesso as fraquezas tecnológicas e estratégicas da Rússia, desafiando a narrativa de invulnerabilidade do Kremlin e alterando a percepção da guerra tanto interna quanto externamente.
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