Padre da Fraternidade São Pio X, excomungada por ordenar bispos sem aval de Leão XIV, expressa esperança de reconciliação sob um futuro pontífice.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um padre da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo católico ultratradicionalista excomungado pelo Vaticano, declarou ter esperança de que a comunidade seja acolhida de volta à Igreja Católica por um futuro papa. Atualizado em 6 de julho de 2026.
A declaração de Georg Kopf ocorreu neste domingo (5), dias após o grupo gerar um novo cisma ao consagrar quatro bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Segundo Kopf, as ordenações foram um ato de "amor à Igreja e ao papa" para "cuidar da salvação das almas", e não uma tentativa de criar uma igreja paralela.
A crise foi deflagrada em 1º de julho de 2026, quando a FSSPX realizou uma cerimônia em Ecône, na Suíça, para ordenar quatro novos bispos sem o mandato pontifício. O ato é considerado de natureza cismática pelo direito canônico e acarreta em excomunhão automática (latae sententiae).
Os novos bispos consagrados são o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. O Vaticano, através do Dicastério para a Doutrina da Fé, confirmou a excomunhão e alertou que sacramentos como confissões e casamentos celebrados pela fraternidade são inválidos.
Durante uma missa na cidade suíça de Wil, o padre Georg Kopf fez uma referência direta ao papa emérito Bento XVI, que em 2009 revogou uma excomunhão anterior imposta ao grupo.
"Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos acolherá de volta. Assim como o papa Bento", afirmou Kopf. "Estou convicto de que haverá outro papa como ele que dará à tradição seu devido lugar novamente."
Esta não é a primeira ruptura do grupo com Roma. Em 1988, o fundador da fraternidade, o arcebispo Marcel Lefebvre, também foi excomungado por consagrar bispos sem a permissão do então papa João Paulo II.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) é uma comunidade católica tradicionalista fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O grupo rejeita as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965), celebra a missa exclusivamente em latim (rito tridentino) e se opõe ao diálogo com outras religiões.
Os bispos envolvidos na ordenação não autorizada incorreram em excomunhão automática. O Vaticano declarou que os sacramentos celebrados por padres da FSSPX são ilícitos e, em alguns casos, inválidos. Para os fiéis leigos, uma eventual punição será avaliada caso a caso, dependendo do grau de adesão formal ao cisma.
O Vaticano estabeleceu regras para quem desejar retornar à plena comunhão. Sacerdotes devem fazer um pedido formal ao papa, jurar fidelidade, aceitar o Concílio Vaticano II e encontrar um bispo disposto a acolhê-los. Leigos devem procurar o bispo de sua região e fazer um ato de plena adesão à doutrina da Igreja.
A consagração dos novos bispos pela FSSPX marca o segundo grande cisma do grupo em menos de 40 anos, aprofundando a divisão com o Vaticano sob o papado de Leão XIV. Enquanto a Santa Sé define um caminho de retorno baseado na submissão à autoridade papal, membros da fraternidade depositam sua esperança de reconciliação na eventual eleição de um futuro pontífice mais alinhado às suas visões tradicionalistas.
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