Parastoo Ahmadi e oito membros de sua equipe também foram proibidos de exercer atividades artísticas e de deixar o país por dois anos.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 1 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a 74 chibatadas por um tribunal criminal da província de Qom, no Irã. A sentença foi motivada por um vídeo publicado no YouTube em dezembro de 2024, no qual ela se apresenta cantando sem o hijab, o véu islâmico de uso obrigatório no país.
Além da pena corporal, Ahmadi e oito integrantes de sua equipe de produção foram proibidos de deixar o Irã e de exercer atividades artísticas por um período de dois anos. Segundo documentos judiciais divulgados por ativistas e pela imprensa internacional, os artistas foram condenados por produzir e divulgar conteúdo "vulgar e imoral" que ofenderia a decência pública.
O vídeo, intitulado "Caravanserai Concert" ou "An Imaginary Concert", acumulou milhões de visualizações desde sua publicação. Nele, Ahmadi interpreta a canção patriótica "Az Khoon-e Javanan-e Vatan" ("Do sangue dos jovens da pátria") com os cabelos descobertos e usando uma roupa que deixava os ombros expostos. Após a divulgação do material, a cantora e alguns músicos foram detidos brevemente e liberados sob fiança.
Organizações de direitos humanos classificam a aplicação de chibatadas como uma forma de tortura e tratamento degradante. Advogados que acompanham o caso, como Moein Khazaeli, afirmam que a sentença não possui base legal, pois a legislação penal iraniana não criminaliza o ato de cantar ou produzir obras musicais por mulheres. O caso ocorre em um contexto de repressão intensificada no Irã, especialmente após os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, detida por violar o código de vestimenta do país.
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