Eletricista foi demitido por suspeita de furto de um biscoito de US$ 1,95, mas provou o pagamento. Entenda o caso e os direitos em demissões injustas.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 18 de julho de 2026. A Ford pagou cerca de US$ 33 mil (aproximadamente R$ 143 mil) em salários retroativos a um eletricista veterano demitido por engano sob a acusação de furtar um biscoito de US$ 1,95 (cerca de R$ 10). O funcionário, Kurt Kromm, provou que havia pago pelo produto e, após o reconhecimento do erro pela montadora, recusou a oferta para voltar ao antigo posto.
O caso ocorreu na madrugada de 9 de maio na fábrica da Ford em Louisville, Kentucky. Kurt Kromm, um eletricista de 60 anos com 11 anos de empresa, sentiu-se tonto devido à sua condição de diabético e decidiu comprar um biscoito de chocolate em um quiosque de autoatendimento, conforme relatado pelo AutoPapo. Ao tentar pagar com seu cartão, a máquina exibiu uma tela vermelha indicando falha na transação, levando-o a usar um segundo equipamento para finalizar a compra.
Uma semana depois, Kromm foi chamado por seus supervisores e demitido sob a acusação de furto, com base em imagens de câmeras de segurança. Ele foi escoltado para fora da fábrica imediatamente, sem a chance de recolher suas ferramentas.
Convencido de que havia pago, Kromm recusou o conselho de um representante sindical para pedir desculpas. Em vez disso, ele obteve seu extrato bancário, que confirmava um débito de US$ 1,95 feito às 3h38 daquela madrugada, e o apresentou à empresa. Segundo o relato do funcionário, a Ford ainda exigiu que o documento fosse autenticado em cartório.
A confirmação final veio em 12 de junho, quando a Aramark, operadora dos quiosques, informou à montadora que o pagamento havia sido processado com sucesso. De acordo com o portal AcheiUSA, a Ford reconheceu o erro e ofereceu a Kromm seu emprego de volta, juntamente com o pagamento de cerca de US$ 33 mil em salários atrasados.
Apesar da retratação da empresa, Kurt Kromm recusou a oferta. Ele já havia encontrado um novo emprego, mais perto de casa e com um salário maior, saltando de US$ 48 para US$ 52,51 por hora. A decisão foi motivada pela quebra de confiança e pela falta de um pedido formal de desculpas por parte da montadora.
Uma acusação de furto, se comprovada, pode levar a uma demissão por justa causa. Nesse tipo de desligamento, o trabalhador perde direitos importantes. Conforme as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a demissão por justa causa elimina o direito ao aviso prévio, à multa de 40% do FGTS e ao seguro-desemprego, garantindo apenas o saldo de salário e férias vencidas.
A empresa pagou aproximadamente US$ 33 mil em salários retroativos, o que equivale a cerca de R$ 143 mil na cotação da época, após reconhecer o erro na demissão, segundo o portal AcheiUSA.
Kurt Kromm recusou a oferta de reintegração porque já havia conseguido um novo emprego com salário superior e sentiu que a confiança na empresa foi quebrada, afirmando não ter recebido um pedido de desculpas formal.
Na demissão por justa causa, o empregado perde o direito ao aviso prévio, ao saque do FGTS acrescido da multa de 40% e ao seguro-desemprego, mantendo apenas o direito ao saldo de salário e às férias vencidas com acréscimo de um terço, de acordo com as normas da CLT.
O caso de Kurt Kromm destaca as graves consequências de uma acusação infundada no ambiente de trabalho e a importância de um processo justo antes de medidas drásticas como a demissão. Embora a Ford tenha tentado corrigir o erro financeiramente, a quebra de confiança impediu a reintegração, e o funcionário conseguiu reverter a situação a seu favor com uma nova oportunidade profissional.
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