Cientistas monitoram a Zona de Subducção de Cascadia, que se estende do Canadá à Califórnia, e alertam para o risco de um mega terremoto com potencial devastador.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 14 de agosto de 2026. Após o forte terremoto que atingiu a Colômbia, a atenção de sismólogos se volta para um risco ainda maior na América do Norte. Cientistas alertam que a Zona de Subducção de Cascadia, uma falha geológica que se estende do Canadá à Califórnia, nos Estados Unidos, acumula tensão para um potencial mega terremoto, conhecido como "The Big One".
A Zona de Subducção de Cascadia é uma falha geológica com cerca de 1.000 quilômetros de extensão, localizada entre o sul do Canadá e o norte da Califórnia. Nela, a placa tectônica Juan de Fuca mergulha sob a placa Norte-Americana a uma velocidade de aproximadamente 4 centímetros por ano. Esse processo, no entanto, não é suave; as placas estão "travadas", acumulando uma enorme quantidade de tensão. O último grande evento sísmico nesta zona ocorreu em 1700, um terremoto estimado em magnitude 9.
Estudos científicos apontam para uma probabilidade crescente de um novo grande evento. Algumas projeções indicam uma chance de 10% a 15% de um terremoto de magnitude superior a 9 nos próximos 50 anos, enquanto outras estimam em 35% a chance de um sismo de magnitude 8.0 ou maior no mesmo período. As consequências seriam catastróficas: um estudo prevê cerca de 30 mil mortes, a destruição de 170 mil edifícios e prejuízos de US$ 81 bilhões, além de um tsunami com ondas que poderiam chegar à costa em menos de meia hora.
Pesquisas da Universidade de Washington mostram que a falha não se comporta de maneira uniforme. Enquanto a porção norte parece inativa e travada, a região central exibe sinais de atividade, como terremotos de movimento lento e fluxos de fluidos subterrâneos. Esses fluidos podem alterar a forma como a energia acumulada será liberada. Além disso, um estudo recente registrou pela primeira vez a ruptura da placa Juan de Fuca, que está se fragmentando em seu processo de mergulho, um fenômeno que ajuda a entender a evolução de zonas de subducção.
Não há relação causal direta. O terremoto na Colômbia foi causado pelo movimento da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana. A ameaça em Cascadia envolve as placas Juan de Fuca e Norte-Americana. Ambos os locais fazem parte do Círculo de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade sísmica, mas os eventos são independentes.
O último mega terremoto na falha de Cascadia ocorreu em janeiro de 1700. Registros geológicos indicam que o sismo atingiu uma magnitude de aproximadamente 9.0, causando um afundamento da costa e gerando um tsunami que atravessou o Pacífico e atingiu o Japão.
Nos Estados Unidos, foi criado o Centro de Ciência de Terremotos da Região de Cascádia para estudar a falha. Além disso, já está em operação o sistema de alerta precoce ShakeAlert, que envia notificações para celulares segundos antes de um tremor. Anualmente, é realizado o "ShakeOut", o maior treinamento de resposta a terremotos do mundo, para preparar a população.
Embora a data do próximo "Big One" seja impossível de prever, a ciência confirma que a ameaça na Zona de Subducção de Cascadia é real e crescente. O monitoramento contínuo e a preparação da população são as ferramentas mais eficazes para mitigar os impactos de um dos desastres naturais mais potentes que a América do Norte pode enfrentar.
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