Um registro raro no Pantanal de MS revela mais de 30 araras-azuis em uma única árvore. Entenda o que torna o momento tão especial e saiba mais sobre a ave.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um fotógrafo da natureza capturou uma cena descrita como "única" e "impressionante" no Pantanal de Mato Grosso do Sul: um verdadeiro "pé de arara-azul", com mais de 30 dessas aves reunidas em uma só árvore. Atualizado em 24 de agosto de 2026.
O registro, feito pelo fotógrafo Luiz Felipe Mendes em Aquidauana, mostra o grupo pousado nos galhos secos de uma árvore, criando um forte contraste entre o azul vibrante das penas e a paisagem pantaneira. Embora a arara-azul seja um símbolo do bioma, avistar tantas juntas é um evento raro, conforme relatado por Mendes ao G1.
As imagens foram gravadas no fim de 2025, enquanto o fotógrafo produzia conteúdo para uma pousada na região, um destino popular para observadores de aves. "Foi impressionante pelos cantos, pelos tamanhos dessas araras, pela beleza. Um momento único", contou Mendes.
A arara-azul é uma ave altamente social, que costuma viver em família ou bandos. Especialistas do Instituto Arara Azul afirmam que é difícil encontrá-las sozinhas na natureza, e os grupos se reúnem em dormitórios que funcionam como centros de proteção e troca de informações.
A arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) é a maior representante da família dos psitacídeos, a mesma dos papagaios. Sua imponência é justificada pelos números:
Sua plumagem é de um azul-cobalto marcante, com detalhes em amarelo ao redor dos olhos e na base da mandíbula. Formam casais fiéis por toda a vida e dividem as tarefas no cuidado com os filhotes.
Apesar de sua beleza, a espécie enfrenta sérias ameaças. Os incêndios florestais que atingiram o Pantanal nos últimos anos destruíram ninhos e fontes de alimento, como as palmeiras de acuri e bocaiuva. A bióloga Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, alertou em 2021 sobre o risco de a espécie voltar para a lista de animais ameaçados de extinção devido à perda de habitat e à fome.
Atualmente, a arara-azul é classificada como "Vulnerável" (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Graças a projetos de conservação, como os do Instituto Arara Azul, a população no Pantanal conseguiu se recuperar nas últimas décadas, saltando de cerca de 1.500 para mais de 5.000 indivíduos.
A arara-azul pode atingir até 1 metro de comprimento, da ponta do bico à cauda, e pesar cerca de 1,3 kg, sendo a maior arara do mundo.
A espécie está concentrada principalmente no Pantanal, mas também pode ser encontrada em áreas do Cerrado e da Amazônia, em estados como Pará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Goiás.
A arara-azul é classificada como "Vulnerável" pela IUCN. Embora tenha saído da lista de espécies mais ameaçadas graças a esforços de conservação, ainda enfrenta riscos como desmatamento, incêndios e tráfico de animais.
O flagrante de mais de 30 araras-azuis em uma única árvore é um lembrete da extraordinária biodiversidade do Pantanal e da importância de protegê-la. Embora os esforços de conservação tenham trazido resultados positivos, a sobrevivência da maior arara do mundo continua a depender de ações contínuas contra a destruição de seu habitat.
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