Novo estudo revela como padrões listrados nas asas de borboletas, combinados ao voo, geram uma ilusão que confunde aves sobre sua velocidade e direção.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um novo estudo publicado na revista Nature revela que os padrões contrastantes nas asas das borboletas, como listras e manchas, criam uma poderosa ilusão de ótica para enganar predadores durante o voo. Atualizado em 1 de outubro de 2026.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, demonstra que a combinação desses desenhos com o movimento complexo das asas dificulta a avaliação da velocidade e da direção real do inseto, fazendo com que aves e outros caçadores errem o ataque no momento decisivo.
O mecanismo de defesa funciona de forma semelhante à "ilusão do poste de barbeiro", onde as listras de um cilindro giratório parecem se mover para cima ou para baixo, embora o poste apenas gire no lugar. Nas borboletas, as asas são superfícies flexíveis que se deformam durante o voo, descrevendo um movimento em forma de oito, conforme explica o pesquisador Jolyon Troscianko em reportagens.
Durante a batida para baixo, uma listra na asa pode parecer se mover lentamente, mas na batida para cima, a asa se dobra e torce, alinhando a listra com a direção do voo. Segundo o estudo, isso torna o movimento descendente muito mais visível que o ascendente, confundindo o sistema visual do predador e fazendo-o mirar no lugar errado, muitas vezes atingindo apenas uma parte não vital da asa ou errando completamente.
Para validar a hipótese, a equipe de pesquisadores utilizou uma combinação de técnicas avançadas. Eles realizaram filmagens em alta velocidade de borboletas reais, a mais de 1.000 frames por segundo, para capturar os detalhes do movimento das asas como um pássaro veria. Além disso, aplicaram modelagem computacional e simulações de evolução para analisar os padrões de 400 espécies de borboletas europeias.
Um dos testes envolveu 100 voluntários humanos que tentaram "capturar" borboletas virtuais em uma tela sensível ao toque. Os resultados mostraram que os padrões previstos para causar maior confusão visual levaram os participantes a mirar consistentemente atrás do alvo real, confirmando a eficácia da ilusão.
Não. O estudo aponta que espécies que menos confundem os predadores com o movimento são tipicamente marrons ou vermelhas. Os cientistas sugerem que essas borboletas podem depender mais de outras estratégias de defesa, como a camuflagem para se esconder no ambiente ou cores de advertência (aposematismo) que sinalizam que são tóxicas ou têm um gosto ruim.
É uma ilusão de ótica onde listras em um cilindro giratório parecem se mover continuamente para cima ou para baixo, em vez de apenas girar. Nas borboletas, a combinação do padrão listrado com o bater das asas cria um efeito similar que engana a percepção de movimento dos predadores.
A pesquisa focou principalmente na visão das aves. Conforme apontado por Jolyon Troscianko à Folha, é possível que predadores com uma visão muito mais rápida, como insetos (libélulas e moscas-ladras), não sejam enganados da mesma forma, pois conseguem processar o movimento com mais eficiência.
A descoberta resolve um antigo enigma sobre por que borboletas com padrões tão chamativos não são presas mais fáceis. Ela revela um mecanismo de defesa sofisticado que foi crucial para o sucesso evolutivo do grupo. Além da biologia, as ferramentas usadas no estudo podem ter aplicações práticas, como melhorar a segurança viária ou desenvolver padrões visuais para proteger veículos e drones.
A pesquisa demonstra que as cores e os padrões nas asas das borboletas não são apenas para exibição ou acasalamento, mas formam um sofisticado e dinâmico sistema de defesa. Ao criar ilusões de ótica em pleno voo, esses insetos exploram as limitações do sistema visual de seus predadores, ganhando segundos preciosos que garantem sua sobrevivência.
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