Cinco corvos-havaianos (ʻalalā), extintos na natureza desde 2002, foram soltos em Maui. Entenda como o projeto une ciência e cultura para salvar a espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma ave extinta na natureza há mais de 20 anos, o corvo-havaiano ʻalalā, voltou a voar livre em uma floresta do Havaí no final de 2024. Atualizado em 31 de julho de 2026, o retorno histórico de um grupo de cinco aves à ilha de Maui representa um marco para a conservação, unindo biólogos, tratadores e a comunidade indígena em uma despedida emocionante e um novo começo monitorado.
O ʻalalā (Corvus hawaiiensis) é o último corvo nativo do arquipélago do Havaí. Considerada uma ave inteligente e social, capaz de usar ferramentas, ela desempenha um papel ecológico vital ao dispersar sementes de plantas nativas, contribuindo para a regeneração da floresta. A espécie possui também grande importância cultural para os povos havaianos.
A população do ʻalalā em ambiente selvagem desapareceu devido a uma combinação de fatores, incluindo a perda de habitat, a introdução de predadores e a propagação de doenças. Tentativas anteriores de reintrodução enfrentaram desafios, como ataques do gavião nativo ʻio. O último casal selvagem foi observado em 2002, e desde então a espécie sobreviveu apenas em centros de conservação.
O retorno do ʻalalā foi resultado de um planejamento cuidadoso do Projeto ʻAlalā, que mantém uma população protegida de mais de 110 aves. O processo combinou reprodução assistida, preparação comportamental e monitoramento intensivo.
Um grupo de três machos e duas fêmeas juvenis passou por um período de adaptação em um viveiro na Reserva Florestal de Kīpahulu. Ali, eles se familiarizaram com o ambiente, fortaleceram o voo e aprenderam a usar alimentadores automáticos. Em novembro de 2024, a porta do viveiro foi aberta, marcando o início de sua vida livre.
Cada ave foi equipada com transmissores de rádio e GPS para acompanhamento diário. Uma equipe de campo fornece alimentação complementar e observa o grupo, que já demonstrou comportamentos naturais positivos. Segundo atualizações, as aves estão explorando a floresta, buscando frutas e insetos, vocalizando e apresentando sinais de formação de pares. Um ninho chegou a ser observado, com uma fêmea permanecendo sobre a estrutura.
Em 2025, uma cerimônia de despedida com uma pule, a bênção tradicional havaiana, foi realizada para um novo casal que foi levado ao viveiro de adaptação. Este evento reforçou a união entre a comunidade local, pesquisadores e parceiros do projeto. Embora essas duas novas aves ainda não estejam voando livres, o ato simboliza a expansão planejada do grupo selvagem.
O objetivo final não é apenas soltar aves, mas estabelecer uma população autossuficiente, capaz de se reproduzir e prosperar com mínima intervenção humana. O sucesso do grupo inicial de cinco corvos determinará os próximos passos para a recuperação completa do ʻalalā.
A ave é o ʻalalā, também conhecido como corvo-havaiano (Corvus hawaiiensis). A espécie era considerada extinta na natureza desde 2002, sobrevivendo apenas sob cuidados humanos.
A reintrodução ocorreu na Reserva Florestal de Kīpahulu, na ilha de Maui, no Havaí. A área foi escolhida por oferecer um habitat adequado e protegido para a espécie.
Um grupo inicial de cinco aves (três machos e duas fêmeas) foi solto. Elas são monitoradas diariamente por uma equipe de especialistas através de transmissores de GPS e rádio, além de observação direta e câmeras.
O retorno do ʻalalā à natureza é uma conquista notável e um símbolo de esperança para espécies ameaçadas. Embora o caminho para uma população estável seja longo e frágil, o projeto demonstra que a colaboração entre ciência, manejo cuidadoso e respeito cultural pode reverter cenários de extinção e restaurar o equilíbrio ecológico.
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