Pela primeira vez em 40 anos, duas raras baleias-francas fêmeas semi-albinas foram vistas na mesma temporada em Santa Catarina. Entenda a importância do registro.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 20 de outubro de 2026. Um registro inédito em mais de 40 anos de monitoramento surpreendeu pesquisadores no litoral de Santa Catarina: duas fêmeas de baleia-franca-austral com semi-albinismo foram identificadas na mesma temporada reprodutiva. O evento, considerado extremamente raro, foi documentado pelo Projeto Franca Austral (ProFRANCA) e incluiu o avistamento de uma das fêmeas acompanhada por seu filhote, que também possui a mesma condição genética.
O avistamento histórico ocorreu em Imbituba, no Litoral Sul de Santa Catarina, na área central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca. Segundo o ProFRANCA, esta é a primeira vez em mais de quatro décadas de pesquisa que duas fêmeas semi-albinas são confirmadas em uma única temporada, conforme noticiado pela CBN Total. A primeira fêmea foi identificada em um sobrevoo em setembro. A segunda, registrada em outubro, estava com seu filhote, também semi-albino, o que confirmou se tratar de um animal diferente.
As imagens da segunda fêmea e seu filhote foram captadas por um drone operado pelo biólogo Kevin S. Christmann. "Inicialmente pensamos que poderia ser a mesma fêmea já avistada, mas a presença do filhote também semi-albino chamou a atenção, o que permitiu ter certeza de que se tratava de outra fêmea", explicou Karina Groch, diretora de pesquisa do projeto, ao Diarinho.
O semi-albinismo é uma condição genética que causa uma ausência parcial de pigmentação, resultando em áreas mais claras no corpo do animal, que normalmente é de coloração escura. De acordo com informações do ND Mais, essa variação torna os indivíduos facilmente reconhecíveis durante os monitoramentos.
A raridade, especialmente em fêmeas, tem uma explicação genética. Eduardo Renault, Diretor de Projetos do ProFRANCA, esclareceu que o gene associado à condição está localizado no cromossomo sexual X. Como fêmeas possuem dois cromossomos X (XX), elas precisam herdar o gene de ambos os pais para manifestar a característica. Machos (XY), por outro lado, precisam de apenas um gene. Isso significa que o pai de uma fêmea semi-albina também possui obrigatoriamente a mesma condição.
É a primeira vez em mais de 40 anos de monitoramento científico no Brasil que duas fêmeas diferentes com essa condição genética rara são documentadas na mesma temporada reprodutiva. A presença de um filhote também semi-albino junto a uma das mães torna o evento ainda mais significativo para a pesquisa.
Os animais foram avistados na região de Imbituba, no Litoral Sul, especificamente na enseada da Ribanceira e na área de Ibiraquera. Esta região faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, conhecida como um "berçário" da espécie.
Não. A condição ocorre em aproximadamente 3% da população mundial de baleias-francas-austrais. A maioria dos indivíduos com essa característica são machos, devido à forma como o gene é herdado, tornando fêmeas semi-albinas um achado extremamente raro.
O registro de duas fêmeas semi-albinas e um filhote na mesma temporada em Santa Catarina representa uma oportunidade única para ampliar o conhecimento sobre a biologia e a diversidade genética das baleias-francas. O achado reforça a importância das pesquisas de longo prazo e do monitoramento contínuo para a conservação da espécie que utiliza o litoral brasileiro para se reproduzir e cuidar de seus filhotes.
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