Saiba como a erradicação de mais de 140 mil cabras invasoras, usando rastreadores, permitiu a recuperação da vegetação e de aves raras em Galápagos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A remoção de mais de 140 mil cabras invasoras nas Ilhas Galápagos, em uma operação realizada entre 1997 e 2006, foi um marco na restauração de ecossistemas. A medida drástica permitiu a rápida recuperação da vegetação nativa, essencial para a sobrevivência de espécies endêmicas como as tartarugas gigantes, e faz parte de um esforço contínuo que também resultou no retorno de aves consideradas extintas localmente. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A introdução de espécies não nativas, como as cabras, em ecossistemas insulares como Galápagos, causa um desequilíbrio profundo. Segundo o Catraca Livre, as cabras consumiam a vegetação de forma acelerada, transformando áreas verdes em desertos e provocando severa erosão do solo. Essa degradação destruía o habitat e os locais de nidificação das tartarugas gigantes, ameaçando sua sobrevivência.
Para combater a crise, o "Projeto Isabela" foi lançado, utilizando uma logística complexa que envolvia helicópteros, GPS e atiradores profissionais para cobrir o terreno vulcânico de difícil acesso. Uma das estratégias mais inovadoras foi o uso de "cabras sentinelas". Conforme detalhado pelo Catraca Livre, esses animais eram esterilizados, equipados com transmissores de rádio e soltos para localizar os grupos remanescentes, garantindo uma erradicação completa.
Após a remoção das cabras, a flora nativa demonstrou uma capacidade de recuperação surpreendente. Árvores e arbustos que estavam à beira da extinção voltaram a florescer, estabilizando o solo e melhorando as condições para as tartarugas gigantes. Este sucesso é um exemplo do que a gestão ambiental pode alcançar.
Em um projeto de restauração mais recente na ilha de Floreana, a erradicação de outros invasores, como ratos e gatos selvagens no final de 2023, levou a resultados igualmente notáveis. A BBC News Brasil e o portal Terra relataram o reaparecimento da sanã-das-galápagos, uma ave que não era vista na ilha desde a visita de Charles Darwin em 1835. Outras espécies raras, como as pombas-das-galápagos, também voltaram a ser observadas com mais frequência.
Cabras esterilizadas foram equipadas com colares de rádio-transmissores. Devido ao seu comportamento social, elas naturalmente buscavam outros indivíduos de sua espécie, levando as equipes de erradicação aos últimos grupos escondidos, conforme relatado pelo Catraca Livre.
Na ilha de Floreana, após a remoção de ratos e gatos, a sanã-das-galápagos foi redescoberta após quase 200 anos. Outras aves como pombas-das-galápagos e o papa-lagarta-acanelado também se tornaram mais comuns, segundo a BBC e o portal Terra.
Espécies invasoras, como cabras, ratos e gatos, desestabilizam ecossistemas insulares. Elas competem por alimento com as espécies nativas, destroem habitats e predam ovos e filhotes, levando a fauna local, que evoluiu sem esses predadores, à beira da extinção.
As operações de erradicação de espécies invasoras em Galápagos, tanto de cabras quanto de outros predadores, demonstram como intervenções diretas e bem planejadas são cruciais para a preservação da biodiversidade. O sucesso desses projetos, que resultou na recuperação da vegetação e no retorno de espécies icônicas, serve como um modelo global para a restauração de ecossistemas frágeis.
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