Um vídeo de uma capivara tranquila entre jacarés no Pantanal viralizou. Biólogo explica por que o ataque nem sempre ocorre e quais os verdadeiros riscos. Veja a análise.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um vídeo que mostra uma capivara descansando tranquilamente ao lado de um grupo de jacarés na Transpantaneira, em Mato Grosso, surpreendeu turistas e viralizou nas redes sociais. A cena, registrada pela guia de turismo Erica Moura, levanta a questão: por que os predadores não atacam o roedor? A resposta envolve um cálculo de risco, a disponibilidade de alimento e o comportamento de ambos os animais. Atualizado em 20 de outubro de 2026.
A aparente paz entre capivaras e jacarés não é um sinal de amizade, mas sim uma trégua baseada em conveniência e estratégia de sobrevivência. Segundo o biólogo João Marcelo Biagini, em entrevista ao G1, diversos fatores fazem com que um jacaré pense duas vezes antes de atacar uma capivara adulta.
Um jacaré é um predador oportunista que ataca quando está com fome, mas também economiza energia quando está bem alimentado. Atacar uma capivara adulta representa um grande gasto energético com alto risco. Conforme explica Biagini, os principais motivos são:
A disponibilidade de outras fontes de alimento é crucial. Durante o período chuvoso no Pantanal, a oferta de peixes aumenta consideravelmente. Para os jacarés, é muito mais fácil e seguro capturar peixes, que não revidam, do que enfrentar uma capivara adulta, como detalhado por Biagini ao G1.
A convivência pacífica não significa que as capivaras estejam completamente seguras. A situação pode mudar drasticamente dependendo das condições ambientais e da vulnerabilidade da presa. Durante a seca, por exemplo, a escassez de peixes pode levar os jacarés a caçar presas maiores com mais frequência.
O biólogo João Marcelo Biagini alerta que filhotes de capivara e animais doentes ou enfraquecidos são alvos muito mais prováveis e vulneráveis. Portanto, embora a cena de descanso conjunto seja comum, o risco de um ataque nunca é zero.
Sim, especialmente no Pantanal, é comum observar as duas espécies compartilhando o mesmo espaço nas margens de rios e lagos. Essa proximidade ocorre principalmente quando os jacarés estão bem alimentados e em modo de economia de energia.
Sim, capivaras fazem parte da dieta de jacarés, mas os ataques são direcionados principalmente a filhotes, indivíduos jovens ou adultos doentes. Uma capivara adulta e saudável é considerada uma presa de alto risco e baixo retorno energético para o predador.
A cena da capivara descansando entre jacarés na Transpantaneira ilustra a complexa dinâmica da vida selvagem no Pantanal. Não se trata de uma amizade, mas de uma coexistência calculada, onde o predador avalia o custo-benefício do ataque. Fatores como o tamanho da presa, suas defesas e a abundância de alimentos mais fáceis determinam essa trégua temporária na cadeia alimentar.
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