Espécie invasora, o caranguejo-das-neves foi avistado na porção oriental do Mar de Kara, esgotando a base alimentar e praticando canibalismo. Entenda o impacto.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma invasão do caranguejo-das-neves (Chionoecetes opilio) está causando a destruição da fauna no fundo do Mar de Kara, no Ártico Russo. Cientistas confirmaram a presença da espécie, que migrou do Mar de Barents, em toda a porção oriental da bacia, uma área mais fria e que permanece coberta por gelo por mais tempo. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Uma expedição do Instituto de Oceanologia Chirchov a bordo do navio Akademik Mistislav Keldich detectou a presença do caranguejo-das-neves na parte oriental do Mar de Kara, segundo Mikhail Flint, chefe do Departamento de Ecologia Oceânica. A espécie foi encontrada pela primeira vez há 10 anos na Baía de Blagopolutchia, na costa de Nova Zembla, mas sua expansão recente é um sinal alarmante para o ecossistema local.
De acordo com o portal GW2RU, os pesquisadores observaram uma proliferação da espécie há dois anos. No entanto, o caranguejo esgotou sua base alimentar a ponto de começar a se alimentar de seus próprios filhotes, um comportamento canibal que prejudicou o desenvolvimento da população.
O impacto da invasão é severo. O caranguejo-das-neves "comeu o máximo que pôde e agora está com pouca comida", afirmou Flint. O canibalismo observado na população está causando uma queda no número de indivíduos. Embora a espécie não deva desaparecer completamente da região, o crescimento populacional visto há alguns anos é improvável devido à baixa produtividade e à pobre base alimentar do Mar de Kara.
Enquanto o caranguejo-das-neves se comporta como uma praga invasora no Ártico Russo, sua população nativa no Mar de Bering, no Alasca, sofreu um colapso dramático. Entre 2018 e 2021, a população encolheu de cerca de 8 bilhões para 1 bilhão de indivíduos, uma queda de quase 90%, levando ao cancelamento da temporada de pesca pela primeira vez na história.
Pesquisadores da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA apontam que o aquecimento das águas do Mar de Bering é a principal causa do desaparecimento. O aumento da temperatura elevou as necessidades calóricas dos caranguejos, levando a um evento de fome em massa que matou cerca de 10 bilhões de crustáceos, conforme publicado na revista Science e reportado pelo Conexão Planeta. A espécie, que prefere águas abaixo de 2°C, não encontrou alimento suficiente para sustentar seu metabolismo acelerado.
O invasor do Mar de Kara é o caranguejo-das-neves (Chionoecetes opilio). A espécie migrou da sua área no Mar de Barents e está destruindo a fauna local, chegando a praticar canibalismo por falta de alimento.
A população no Alasca entrou em colapso devido ao aquecimento do Mar de Bering. As águas mais quentes aumentaram as necessidades calóricas dos caranguejos, resultando em fome em massa e uma perda de mais de 90% da população entre 2018 e 2021.
A situação do caranguejo-das-neves ilustra os efeitos complexos e contraditórios das mudanças climáticas. Enquanto a espécie se torna uma praga invasora e destrutiva em um ecossistema ártico, ela enfrenta a extinção em massa em seu habitat natural devido ao aquecimento dos oceanos. Ambos os cenários destacam a fragilidade dos ecossistemas marinhos frente às alterações climáticas globais.
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