A capital mexicana enfrenta um processo de subsidência que pode chegar a 24 cm por ano, ameaçando prédios e ruas. Saiba por que o solo está cedendo.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. A Cidade do México, uma das maiores metrópoles da América Latina, está afundando em um ritmo alarmante de até 2 centímetros por mês em algumas áreas. A confirmação vem de dados de satélite da NASA, que monitora o fenômeno conhecido como subsidência e alerta para os graves riscos à infraestrutura e à população de 22 milhões de habitantes.
A principal causa do afundamento do solo na Cidade do México é a extração excessiva de água subterrânea. A capital foi construída sobre o leito de um antigo lago, o que torna seu solo argiloso e instável, como aponta a Revista Galileu. Para abastecer sua enorme população, a cidade retira água dos aquíferos subterrâneos a uma taxa muito superior à sua capacidade de recarga natural pela chuva.
De acordo com cientistas da NASA, à medida que a água é bombeada, o aquífero se compacta sob o peso da cidade, fazendo com que a superfície ceda gradualmente. Esse processo não é novo, mas dados recentes do satélite NISAR, coletados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, revelam a aceleração e a gravidade da situação.
Com um afundamento que pode chegar a 24 centímetros por ano em certas regiões, os efeitos na infraestrutura urbana são severos e visíveis no dia a dia. O fenômeno causa ruas deformadas, rachaduras em prédios e danos a sistemas subterrâneos, como o metrô e tubulações de água.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o monumento do Anjo da Independência, no Paseo de la Reforma. Inaugurada em 1910, a estrutura precisou receber 14 degraus adicionais em sua base ao longo dos anos. Segundo O Globo, isso foi necessário para compensar o afundamento do terreno ao redor, enquanto a coluna do monumento permaneceu estável por estar fixada em camadas mais profundas do solo.
O afundamento cria um ciclo vicioso para o abastecimento de água. Conforme o solo cede, as tubulações se rompem, o que aumenta as perdas na distribuição de água, estimadas em cerca de 40%, conforme reportado pela Revista Galileu. Isso, por sua vez, aumenta a necessidade de extrair ainda mais água dos aquíferos, intensificando o problema.
O monitoramento é realizado pelo satélite NISAR, um projeto desenvolvido em parceria entre a NASA e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO). Lançado em 2025, o equipamento utiliza uma tecnologia de radar avançada capaz de detectar mudanças mínimas na superfície da Terra, mesmo através de nuvens ou vegetação densa. O Terra destaca que essa tecnologia permite mapear o processo com precisão milimétrica, identificando os pontos de maior risco para que as autoridades possam planejar intervenções.
A causa principal é a subsidência do solo, provocada pela extração excessiva de água dos aquíferos subterrâneos para abastecer a população. A geologia da cidade, construída sobre um antigo leito de lago, agrava o problema.
Em algumas das áreas mais críticas, o afundamento pode chegar a 2 centímetros por mês, o que equivale a um total de até 24 centímetros por ano.
Não. As imagens de satélite da NASA mostram que o fenômeno ocorre de forma desigual. Enquanto alguns bairros permanecem relativamente estáveis, outros enfrentam declínios severos, especialmente áreas construídas sobre antigos corpos d'água.
O afundamento da Cidade do México é um desafio geológico e urbano de grandes proporções, impulsionado pela demanda hídrica de uma das maiores populações do mundo. Os dados do satélite NISAR fornecem uma ferramenta crucial para entender a dimensão do problema e planejar o futuro, mas especialistas alertam que a solução passa por uma gestão sustentável dos recursos hídricos para evitar danos ainda maiores à infraestrutura e à segurança dos habitantes.
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