Pesquisadores usam iscas robóticas com calor, cheiro e movimento para atrair pítons-birmanesas que ameaçam o ecossistema dos Everglades. Entenda a tecnologia.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Coelhos-robôs equipados com tecnologia de ponta estão sendo espalhados pelo sul da Flórida como a mais nova estratégia para combater a crescente população de pítons-birmanesas, uma espécie invasora que está devastando a fauna nativa da região dos Everglades.
Desenvolvidos por cientistas da Universidade da Flórida em parceria com o Distrito de Gestão de Água do Sul da Flórida, os coelhos-robôs são iscas tecnológicas projetadas para enganar os sentidos das serpentes. Cada unidade, que custa cerca de US$ 4 mil (R$ 21 mil), é equipada com diversos recursos para imitar uma presa real.
Essa abordagem substitui o uso de coelhos vivos, uma prática anterior considerada logisticamente complexa e que envolvia sofrimento animal.
Originárias do Sudeste Asiático, as pítons-birmanesas foram introduzidas na Flórida a partir da década de 1970, principalmente através do comércio de animais exóticos, quando escaparam de cativeiros ou foram soltas por seus donos. Sem predadores naturais na região, sua população cresceu exponencialmente.
O impacto no ecossistema dos Everglades é severo. De acordo com o Parque Nacional de Everglades, as pítons já eliminaram cerca de 95% dos pequenos mamíferos, como guaxinins e gambás, e milhares de aves, causando um profundo desequilíbrio ambiental. Uma única fêmea pode colocar entre 50 e 100 ovos por vez, o que acelera sua proliferação.
A erradicação completa das pítons é considerada improvável por especialistas. No entanto, a Flórida adota várias medidas para controlar a população. Desde 2019, o governo já removeu cerca de 16 mil pítons por meio de caçadores profissionais e eventos como o "Desafio da Píton da Flórida", que oferece prêmios em dinheiro, como os US$ 10 mil pagos ao vencedor de uma das edições.
Os coelhos-robôs representam um avanço tecnológico importante, oferecendo uma solução criativa e mais eficiente para localizar essas cobras mestres da camuflagem em um ambiente pantanoso e de vegetação densa.
Cada coelho-robô utilizado no projeto tem um custo de aproximadamente US$ 4 mil, o que equivale a cerca de R$ 21 mil, segundo informações da equipe de pesquisa.
As pítons-birmanesas são mestres da camuflagem e prosperam em ambientes semiaquáticos e densamente vegetados como os Everglades, o que torna sua localização visual extremamente difícil para os caçadores.
Não. Eles são uma nova ferramenta que se soma a outras iniciativas, como a contratação de caçadores profissionais e a realização de competições anuais de caça abertas ao público, que já removeram milhares de cobras do ecossistema.
O uso de coelhos-robôs na Flórida é um exemplo inovador de como a tecnologia pode ser aplicada para resolver problemas ambientais complexos. Embora a guerra contra as pítons invasoras esteja longe de terminar, essa nova tática oferece uma esperança para proteger a biodiversidade única dos Everglades.
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