Rastreamento de um jovem elefante por dois anos revelou uma jornada épica por quatro países, seguindo "rodovias invisíveis". Entenda a importância desses corredores.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em junho de 2023, pesquisadores instalaram um colar GPS em um jovem elefante macho na Zâmbia, batizado de Z16. Dois anos depois, os dados revelaram uma jornada extraordinária de quase 12.000 quilômetros por quatro países e seis parques nacionais. Atualizado em 2 de agosto de 2026, o rastreamento não mostrou um movimento aleatório, mas sim o uso de rotas ancestrais, verdadeiras "rodovias invisíveis" que conectam ecossistemas e são vitais para a sobrevivência e diversidade genética da espécie, conforme apontam estudos genômicos.
O percurso de Z16, monitorado pela organização de conservação Elephant Connection, começou na Zâmbia. No início de 2024, o animal utilizou o Corredor de Sobbe para atravessar para a Namíbia, passando pelo Parque Nacional Mudumu. De lá, seguiu para o norte de Botsuana, cruzando o Delta do Okavango, e continuou até o Parque Nacional Hwange, no Zimbábue, de acordo com informações divulgadas pela Space Daily e pelo portal espanhol El Diario.
Kerryn Carter, bióloga e fundadora da Elephant Connection, afirmou que os movimentos parecem seguir "rotas antigas que se conhecem há muito tempo", sugerindo que esse conhecimento é transmitido entre gerações. A distância percorrida por Z16 é comparável a três travessias dos Estados Unidos, de Nova York a Los Angeles.
A jornada de Z16 é espetacular, mas representa o comportamento de uma minoria. Dados de 291 elefantes monitorados na Área de Conservação Transfronteiriça Kavango-Zambezi (KAZA) mostram que, embora quase metade dos animais tenha cruzado fronteiras, apenas 36% eram fêmeas. Segundo o site Ecoticias, 53% dos machos monitorados realizaram essas travessias.
Essa diferença é crucial, pois as manadas lideradas por fêmeas, que viajam com filhotes, compõem mais de 85% da população de elefantes da região. Para elas, obstáculos como rios largos, estradas e cercas — mesmo que deterioradas — representam barreiras significativas que os machos solitários atravessam com mais facilidade. Um estudo de 2022, citado pelo El Diario, confirmou que cercas na fronteira entre Namíbia e Botsuana bloqueavam completamente a passagem de fêmeas monitoradas.
O trajeto de Z16 reforça a importância dos corredores ecológicos, como o Corredor de Sobbe. Robin Naidoo, cientista do WWF-US, descreve esses corredores como "supapas de pressão" e uma forma de "infraestrutura ecológica", conforme relatado pelo portal romeno Adevarul. Eles permitem que os elefantes se desloquem entre áreas protegidas, evitando a superpopulação e o isolamento.
Um estudo sobre genomas de elefantes africanos, divulgado pelo Prensa Mercosur, revelou que essas "rodovias invisíveis" são usadas há milhões de anos para garantir o fluxo gênico entre manadas, mantendo a saúde e a capacidade de adaptação da espécie. A fragmentação desses corredores por assentamentos humanos, estradas e cercas transforma populações conectadas em "ilhas genéticas", aumentando o risco de doenças e reduzindo a diversidade biológica.
O elefante Z16 percorreu quase 12.000 quilômetros ao longo de dois anos. Sua jornada o levou através de quatro países do sul da África: Zâmbia, Namíbia, Botsuana e Zimbábue, passando por seis parques nacionais.
Eles seguem rotas ancestrais para encontrar comida, água e novos territórios. Um estudo genômico revelou que essas "rodovias invisíveis" são usadas há milhões de anos e são cruciais para conectar populações e garantir a diversidade genética, o que fortalece a espécie contra doenças e mudanças ambientais.
Proteger esses corredores é vital para evitar que as populações de elefantes fiquem isoladas. A fragmentação do habitat por cercas e desenvolvimento humano ameaça a saúde genética e a sobrevivência a longo prazo da espécie, mesmo que os números em parques isolados pareçam estáveis.
A jornada épica de Z16, revelada pelo GPS, é mais do que um recorde de distância. É uma demonstração viva do conhecimento ancestral dos elefantes e um alerta urgente sobre a necessidade de proteger os corredores ecológicos. Garantir que essas "rodovias invisíveis" permaneçam abertas é fundamental não apenas para a liberdade de movimento dos animais, mas para a saúde genética e o futuro de toda a espécie.
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