Um centro de reabilitação em Belém usa um método inusitado para cuidar de filhotes de coruja órfãos e garantir seu retorno à natureza. Entenda como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Quatro filhotes de coruja-suindara, resgatados em Benevides (PA), recebem um tratamento inovador no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (Cetras/UFRA), em Belém. Para evitar a criação de laços com humanos, os cuidadores usam fantoches que simulam a mãe durante a alimentação. Atualizado em 27 de outubro de 2026.
As aves, popularmente conhecidas como "rasga-mortalha", foram encontradas dentro de uma sacola plástica em um terreno baldio, segundo a médica veterinária residente Rayanne Silveira. A técnica utilizada, chamada de "anti-imprinting", é crucial para o futuro dos animais.
O manejo anti-imprinting é um conjunto de protocolos para impedir que animais selvagens criem um vínculo afetivo, de dependência ou de identidade com seres humanos. O objetivo é preservar os comportamentos naturais e garantir que eles possam ser reintegrados à natureza com sucesso, sem associar pessoas à sua sobrevivência.
Para alimentar os filhotes, os profissionais do centro adotam um cuidado rigoroso. Eles cobrem completamente o corpo e o rosto com roupas e máscaras para esconder a silhueta humana. Em uma das mãos, utilizam um fantoche de coruja para oferecer o alimento, simulando o cuidado que receberiam da mãe na natureza. De acordo com o Cetras/UFRA, os filhotes têm idades diferentes, o que exige atenção específica para cada fase do desenvolvimento.
A coruja-suindara (Tyto furcata) desempenha um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Considerada uma das controladoras biológicas mais eficientes, sua dieta é composta principalmente por roedores, insetos e até morcegos, o que contribui diretamente para o controle natural de pragas em áreas urbanas e rurais.
Os fantoches são usados para simular a presença da mãe e evitar que os filhotes associem humanos ao alimento e ao cuidado. Essa técnica, conhecida como anti-imprinting, é essencial para que as aves não percam seus instintos selvagens e possam sobreviver sozinhas após a soltura.
Os quatro filhotes foram encontrados abandonados dentro de uma sacola plástica em Benevides, na Região Metropolitana de Belém, e foram encaminhados para o Cetras/UFRA, centro de referência inaugurado em 2021 que já realizou mais de cinco mil atendimentos a animais selvagens.
As aves passarão por algumas semanas de acompanhamento para monitorar seu crescimento e evolução. A equipe do centro espera que, após completarem o desenvolvimento e demonstrarem independência, os filhotes estejam aptos para serem soltos em segurança na natureza.
A iniciativa do Cetras/UFRA no Pará destaca a importância de técnicas especializadas na reabilitação da fauna silvestre. O uso de fantoches no tratamento dos filhotes de coruja-suindara é um exemplo de como a ciência e a dedicação podem garantir uma segunda chance para animais resgatados, assegurando seu retorno ao habitat natural e a preservação da biodiversidade amazônica.
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