A chegada do inverno no Brasil altera o comportamento de onças, aves e baleias. Especialistas alertam como a preservação dos biomas é vital para estes ciclos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A chegada do inverno no Brasil, mesmo sem as temperaturas extremas de climas temperados, é suficiente para redesenhar a dinâmica da fauna local. Um levantamento da Fundação Grupo Boticário revela que dias mais curtos, temperaturas mais baixas e menor oferta de alimento forçam dezenas de espécies a adaptar seus hábitos para sobreviver. Atualizado em 16 de julho de 2026.
Essas mudanças, que vão de alterações nos horários de caça a longas migrações, ocorrem em biomas como a Mata Atlântica e o Pantanal, evidenciando a importância de ecossistemas preservados para a continuidade desses ciclos naturais, conforme apontado por especialistas da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).
Entre os mamíferos, os predadores estão entre os que mais alteram seu comportamento. Na Mata Atlântica e no Pantanal, onças-pintadas passam a percorrer distâncias maiores em busca de presas. No Pantanal, a estação seca coincide com o inverno, concentrando animais em pontos de água e facilitando a caça, segundo a análise da Fundação Grupo Boticário.
Outros carnívoros também ajustam sua dieta:
A redução na oferta de insetos também impulsiona mudanças no comportamento das aves. Espécies como o suiriri e o andorinhão-do-temporal migram das regiões mais frias do Sul e Sudeste para áreas mais quentes do país. Outras formam bandos mistos, uma estratégia que aumenta a proteção contra predadores e a eficiência na busca por alimento.
No ambiente marinho, o inverno marca a chegada das baleias-jubarte. Entre junho e novembro, elas viajam cerca de 9 mil quilômetros das águas da Antártica até a costa brasileira, principalmente para o Banco dos Abrolhos (BA), para acasalar e dar à luz. Durante esse período, vivem de suas reservas de gordura, conforme detalhado no levantamento da VEJA.
Embora essas adaptações sejam parte do ciclo natural, especialistas alertam que as mudanças climáticas representam uma grave ameaça a esse equilíbrio. Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que alterações no regime de chuvas e o aumento das temperaturas podem desregular os períodos de migração e reprodução.
O aquecimento global força animais e plantas a se deslocarem para altitudes ou latitudes mais altas, em busca de climas mais amenos. Conforme reportado por ((o))eco, isso pode levar a extinções locais, especialmente em espécies adaptadas ao frio, como algumas serpentes de montanha, que eventualmente não terão para onde subir.
Diversas espécies adaptam seu comportamento, incluindo onças-pintadas, que ampliam seu território de caça; aves como o suiriri, que migram para regiões mais quentes; e baleias-jubarte, que viajam para o litoral brasileiro para se reproduzir.
Corredores ecológicos e áreas preservadas são fundamentais, pois permitem que os animais se desloquem com segurança para encontrar alimento, abrigo e locais adequados para reprodução. A fragmentação de habitats, como a que afeta a jacutinga na Mata Atlântica, impede esses movimentos sazonais vitais.
As mudanças climáticas afetam a disponibilidade de alimentos, alteram os padrões de migração e podem comprometer a reprodução. O aumento da temperatura, por exemplo, pode levar ao nascimento predominante de fêmeas em espécies de tartarugas e jacarés, colocando populações em risco.
As adaptações da vida selvagem ao inverno brasileiro são um espetáculo da natureza que depende diretamente da saúde dos ecossistemas. A preservação de biomas como a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado é essencial para garantir que esses ciclos continuem. No entanto, a crescente ameaça das mudanças climáticas exige ações urgentes para proteger a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que ela proporciona.
O Mar Morto está recuando e revelando nascentes de água doce em suas margens. Entenda a explicação geológica por trás das dolinas e a relação com profecias.
Cerca de 60 filhotes de tubarão-limão foram vistos na Baía do Sueste, em Fernando de Noronha, reforçando a importância da área como berçário. Saiba mais.
Avistou uma bandeira roxa na areia? Este sinal alerta para a presença de animais marinhos perigosos, como águas-vivas. Saiba como agir com segurança.
Uma baleia-franca e seu filhote foram vistos no Arpoador, RJ, com uma rede de pesca na cabeça. Saiba os riscos para a espécie e o que fazer ao avistar o animal.