Apelidado de 'Nine Lives', o felino dizimou aves raras como a marreca-parda. Entenda por que sua captura foi crucial para a biodiversidade do país.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um gato selvagem, apelidado de "Nine Lives" ("Nove Vidas"), foi capturado e abatido na Nova Zelândia após uma intensa caçada de três anos. O felino era responsável pela morte de dezenas de animais nativos, incluindo espécies raras, na península de Purerua. Atualizado em 8 de agosto de 2026.
Desde 2023, equipes de conservação do projeto Pest Free Purerua tentavam capturar o gato de pelagem tigrada cinza, que se mostrava extremamente evasivo. Segundo Andy Mentor, gerente do projeto, o comportamento do animal era o principal desafio. "Esse gato em particular era muito imprevisível. Aparecia em um determinado lugar e depois desaparecia por dois ou três meses", afirmou Mentor ao The Guardian, conforme repercutido pelo Terra.
O impacto do felino na fauna local foi devastador. Estima-se que ele tenha matado dezenas de pāteke, a marreca-parda, que é o pato continental mais raro da Nova Zelândia. As mortes representaram cerca de 1% de toda a população da espécie no país, de acordo com o portal O Globo. Além das aves, o gato também predava filhotes de kiwi e lagartos nativos.
A perseguição chegou ao fim no final de julho, quando o animal foi avistado em uma pedreira por três noites consecutivas, um comportamento atípico que permitiu às equipes montar uma estratégia final. Os conservacionistas utilizaram uma variedade de iscas para atraí-lo.
Em 30 de julho, uma armadilha equipada com um sensor enviou um alerta em tempo real para o celular de um dos pesquisadores, confirmando a captura. "Enviamos nossos caçadores para verificar e lá estava ele. Então, foi abatido de forma humanitária", declarou Mentor, segundo relatos do Terra e O Globo.
Após o abate, foi decidido que o corpo do gato será analisado para verificar o conteúdo estomacal e, posteriormente, será empalhado (taxidermizado) para ser usado em atividades educativas sobre o impacto de predadores invasores. A captura gerou um debate nas redes sociais: enquanto ambientalistas comemoraram a ação como uma vitória para a conservação, outros lamentaram a morte do animal.
A Nova Zelândia possui uma biodiversidade única, com muitas espécies que evoluíram sem a presença de predadores mamíferos. Gatos ferais, introduzidos por humanos, tornaram-se uma das maiores ameaças à fauna nativa. Para combater este e outros problemas, o governo neozelandês criou a iniciativa "Predator Free 2050", um plano nacional que busca erradicar espécies invasoras, como gatos selvagens, ratos e gambás, até 2050 para proteger o ecossistema local.
O gato 'Nine Lives' é acusado de matar dezenas de aves raras da espécie pāteke (marreca-parda), o que corresponde a cerca de 1% da população total da espécie no país. Ele também predava filhotes de kiwi e lagartos nativos.
É uma estratégia nacional do governo da Nova Zelândia que visa erradicar predadores invasores, incluindo gatos ferais, ratos e furões, até o ano de 2050, para proteger as espécies nativas ameaçadas do país.
A captura e o abate do gato 'Nine Lives' encerram um capítulo de três anos de desafios para os conservacionistas da Nova Zelândia. O caso exemplifica o grave problema que espécies invasoras representam para ecossistemas vulneráveis e reforça a importância de programas como o Predator Free 2050 para a preservação da biodiversidade única do país.
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