Aumento de barcos em Fernando de Noronha força golfinhos a mudar hábitos, reduzindo o descanso e elevando a vulnerabilidade a predadores. Entenda o estudo.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O aumento expressivo do turismo em Fernando de Noronha está alterando drasticamente o comportamento dos golfinhos-rotadores, símbolo do arquipélago. Atualizado em 18 de julho de 2026, estudos do Projeto Golfinho Rotador apontam que, embora a população não tenha uma redução registrada, os animais estão com menos tempo para descanso e mais vulneráveis a predadores devido à intensa movimentação de embarcações.
A rotina dos golfinhos-rotadores, que buscam a Baía dos Golfinhos para descansar e se proteger, foi profundamente afetada. Segundo José Martins da Silva Júnior, coordenador do Projeto Golfinho Rotador, o tempo de permanência dos animais na baía caiu de uma média de oito horas diárias (até 2002) para apenas duas horas e meia atualmente. Essa mudança coincide com o aumento do tráfego de barcos, que saltou de cerca de cinco por dia em 2003 para mais de 20 nos dias de hoje, conforme apurado pela Folhapress.
O número de visitantes no arquipélago também cresceu, atingindo um recorde de 131.503 em 2024, próximo ao limite anual de 132 mil. Dados do projeto mostram que em 88% das interações observadas entre 2021 e 2022, as embarcações realizaram manobras inadequadas, como entrar no meio dos grupos de golfinhos, uma prática proibida pela portaria 117 do Ibama desde 1996.
Pesquisadores observaram que os golfinhos machos estão passando mais tempo em "posição de guarda" para proteger o grupo, em vez de descansar. Esse estado de alerta constante gasta mais energia e os deixa mais expostos a predadores naturais, como os tubarões-tigre, cuja população também tem aumentado na região. O oceanógrafo Silva Júnior, no entanto, ressalta que "ainda não foi registrada redução na população dos golfinhos", indicando que o impacto, por ora, é comportamental.
Além do turismo, outros fatores investigados que podem influenciar os animais são as mudanças climáticas, que alteram a distribuição de alimentos no oceano. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) está trabalhando na revisão do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) para regulamentar melhor o turismo náutico.
Não. Segundo José Martins da Silva Júnior, coordenador do Projeto Golfinho Rotador, apesar das mudanças de comportamento e aumento dos riscos, ainda não foi registrada uma redução na população de golfinhos-rotadores no arquipélago.
O principal impacto é a alteração de seu comportamento natural. A presença constante e muitas vezes inadequada de barcos turísticos reduz drasticamente o tempo de descanso dos animais, aumenta o estresse e os deixa mais vulneráveis a predadores.
Para observar os golfinhos sem prejudicá-los, é proibido nadar ou mergulhar com eles, persegui-los, tocá-los, produzir ruídos excessivos ou jogar detritos na água. As embarcações devem manter distância e não entrar no meio dos grupos.
O cenário em Fernando de Noronha acende um alerta sobre a necessidade de equilibrar o turismo e a conservação. As mudanças no comportamento dos golfinhos-rotadores servem como um bioindicador da saúde do ecossistema, mostrando que a pressão humana está atingindo um nível crítico. A regulamentação mais rígida das atividades turísticas é fundamental para garantir a sobrevivência e o bem-estar da espécie que é cartão-postal do arquipélago.
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