Ativistas lançaram rochas de até 2 toneladas no Mar do Norte para impedir a pesca de arrasto em área protegida. Entenda a ação e o impacto na vida marinha.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Ativistas do Greenpeace lançaram pedras de até duas toneladas no fundo do Mar do Norte para criar uma barreira submarina contra a pesca de arrasto, uma prática considerada destrutiva para o ecossistema marinho. A ação, realizada no início de novembro de 2026, visa proteger uma área de 116 km² designada para a conservação de focenas. Atualizado em 6 de novembro de 2026.
A bordo do navio Arctic Sunrise, ativistas depositaram nove grandes rochas na Área Marinha Protegida (MPA) do Sul do Mar do Norte, localizada a cerca de 50 km da costa leste da Inglaterra. Segundo o Greenpeace, a iniciativa foi um "último recurso" após a inação do governo britânico em proibir atividades de pesca prejudiciais na região, conforme noticiado pela BBC News.
A área é crucial para a sobrevivência das focenas-comuns, abrigando quase 20% da população da espécie no Mar do Norte britânico, de acordo com o The Guardian. A barreira física criada pelas pedras impede que as redes pesadas da pesca de arrasto sejam arrastadas pelo leito marinho, tornando a prática inviável na zona protegida. A campanha recebeu apoio de figuras públicas, incluindo os atores Simon Pegg e Benedict Cumberbatch, que assinaram seus nomes em algumas das pedras.
A pesca de arrasto de fundo consiste em arrastar redes pesadas pelo leito do mar para capturar peixes. O Greenpeace compara o efeito dessa prática ao de "um bulldozer rasgando um parque nacional", destruindo habitats delicados como corais e esponjas. Além do dano direto ao ecossistema, a atividade ameaça as focenas de forma indireta.
Uma análise do Greenpeace, baseada em dados do Global Fishing Watch, revelou que apenas em 2025, a pesca de arrasto ocorreu por mais de 37.200 horas dentro desta área supostamente protegida, segundo o The Times of India.
O Greenpeace admitiu ter realizado a ação sem uma licença, justificando-a como uma medida necessária diante da lentidão do governo em implementar proteções eficazes. Em resposta, um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) afirmou que "as atividades no mar devem ser realizadas legalmente" e que já existem legislações para proteger o ambiente marinho, com pesca prejudicial banida em mais de 100 locais.
Após depositar as rochas, a organização informou as coordenadas exatas às autoridades, que emitiram um aviso aos navegantes para garantir a segurança no mar. Esta não é a primeira vez que o grupo realiza tal protesto; em 2022, pedras foram lançadas na costa da Cornualha com o mesmo objetivo.
É uma técnica de pesca industrial que utiliza redes pesadas, arrastadas pelo fundo do mar, para capturar peixes e outros organismos marinhos. É criticada por seu alto impacto ambiental, pois destrói habitats e captura indiscriminadamente diversas espécies.
Não. O Greenpeace confirmou que não possuía uma licença para depositar as pedras no fundo do mar. A organização classificou a medida como um ato de "ação direta" e um "último recurso" para pressionar o governo a proteger as áreas marinhas.
O foco principal da proteção é a focena-comum (harbour porpoise), um pequeno cetáceo ameaçado pela pesca industrial. No entanto, ao impedir a destruição do leito marinho, a barreira protege todo o ecossistema local, incluindo peixes, corais, esponjas, tubarões e aves marinhas que dependem da saúde do oceano.
A criação da barreira de pedras pelo Greenpeace no Mar do Norte destaca o conflito entre a conservação marinha e as práticas de pesca industrial. A ação direta da organização serve como um protesto contra a lentidão das políticas governamentais para proteger ecossistemas vulneráveis, mesmo em áreas oficialmente designadas como protegidas, levantando um debate global sobre a eficácia das leis ambientais atuais.
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