Nascidas no Parque das Aves, quatro jacutingas, espécie ameaçada de extinção, foram enviadas a SP para adaptação antes da soltura na Mata Atlântica. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Quatro jacutingas (Aburria jacutinga), nascidas sob cuidados humanos no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (PR), foram enviadas para o interior de São Paulo para um período de adaptação antes de serem soltas na natureza. Atualizado em 13 de agosto de 2026, o envio faz parte de um esforço colaborativo para reforçar a população da espécie, que está ameaçada de extinção na Mata Atlântica.
A iniciativa é parte do Projeto Jacutinga, conduzido pela Sociedade para Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), que visa reintroduzir a espécie em seu habitat natural. A jacutinga é classificada como "Em Perigo" de extinção no Brasil, e em São Paulo a situação é ainda mais crítica, sendo listada como "Criticamente em Perigo", de acordo com o portal ((o))eco. As principais ameaças são a caça predatória e o desmatamento histórico da Mata Atlântica, que reduziu seu território a apenas 7% do original.
Considerada uma "jardineira da floresta", a jacutinga desempenha um papel ecológico vital na dispersão de sementes de mais de 40 espécies de plantas, incluindo a palmeira-juçara (Euterpe edulis), uma de suas principais fontes de alimento, que também está ameaçada. A reintrodução da ave é, portanto, um passo fundamental para restaurar processos ecológicos que mantêm a floresta viva.
Desde 2017, o Parque das Aves colabora com a SAVE Brasil, enviando aves nascidas em seu programa de conservação, o "Voa, Jacutinga". Ao todo, 22 indivíduos já foram encaminhados para projetos de reintrodução, conforme informado pelo próprio parque. O transporte das aves conta com o apoio da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e do programa Avião Solidário da LATAM.
A soltura não é um processo simples. As aves passam por um período de reabilitação e treinamento em um viveiro em São Francisco Xavier (SP), utilizando uma técnica conhecida como soft release (liberação branda). O objetivo é maximizar as chances de sobrevivência na natureza.
A jacutinga está ameaçada principalmente pela caça intensa, seja para alimentação ou esporte, e pela destruição de seu habitat, a Mata Atlântica. A exploração ilegal da palmeira-juçara, um de seus alimentos essenciais, também contribui para o declínio da população.
Ela é uma dispersora de sementes fundamental, ajudando na regeneração e manutenção da floresta. Ao se alimentar de diversos frutos nativos, a jacutinga espalha sementes e contribui para a biodiversidade do bioma, sendo chamada de "jardineira da floresta".
Desde o início da parceria com a SAVE Brasil em 2017, o Parque das Aves já enviou 22 jacutingas nascidas em seu programa de conservação para serem preparadas para a reintrodução na natureza, segundo dados da instituição.
O envio dessas quatro jacutingas representa uma nova esperança para a espécie e para a Mata Atlântica. O trabalho conjunto entre instituições como o Parque das Aves e a SAVE Brasil demonstra que a reprodução em cativeiro, aliada a um rigoroso processo de reabilitação, é uma ferramenta poderosa para reverter o quadro de extinção e restaurar o equilíbrio ecológico.
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