Duas fêmeas do lagostim-vermelho (Procambarus clarkii) foram achadas em Belém (PA), acendendo o alerta para bioinvasão e ameaças ao ecossistema amazônico.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cientistas confirmaram o primeiro registro do lagostim-vermelho (Procambarus clarkii), uma espécie exótica invasora, no bioma Amazônia. Duas fêmeas do animal foram encontradas na praia do Cruzeiro, em Icoaraci, distrito de Belém (PA), gerando um alerta sobre os potenciais riscos para o equilíbrio do ecossistema local. Atualizado em 5 de setembro de 2026.
O achado, ocorrido em 2018, foi detalhado em um artigo científico publicado em 2026 na revista Nauplius. Os exemplares mediam 12,6 e 13,4 centímetros e foram coletados às margens do rio Maguari, conforme divulgado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
Nativo do sul dos Estados Unidos e nordeste do México, o Procambarus clarkii é considerado uma das espécies invasoras mais disseminadas no planeta. Sua grande capacidade de adaptação, comportamento agressivo e dieta onívora o tornam uma ameaça significativa fora de seu habitat natural. No Brasil, sua importação, comercialização e transporte são proibidos por uma portaria do Ibama desde 2008.
A introdução do lagostim-vermelho no ecossistema amazônico acende múltiplos alertas entre os especialistas devido ao seu potencial destrutivo.
Por não possuir predadores naturais na região, a espécie pode se proliferar descontroladamente. Ela compete por alimento e espaço com espécies nativas, além de alterar fisicamente o ambiente ao escavar tocas nas margens dos rios, o que pode aumentar a turbidez da água e modificar o habitat de outros organismos.
Um dos maiores temores é a disseminação do oomiceto Aphanomyces astaci, causador da "peste do lagostim". O P. clarkii é um hospedeiro resistente a este patógeno, mas pode transmiti-lo a espécies de crustáceos nativos, que são altamente suscetíveis e podem ser dizimadas, causando um impacto severo na biodiversidade local.
Embora não haja uma confirmação definitiva, a principal hipótese dos pesquisadores é que os animais tenham sido introduzidos na região por meio do comércio ilegal para aquários. O descarte inadequado de animais de estimação na natureza é apontado como a rota mais provável para a chegada da espécie a novos ambientes, mesmo com a proibição vigente no país.
Não. Os cientistas ressaltam que o encontro de duas fêmeas em um único local é um sinal de alerta, mas não confirma a existência de uma população estabelecida e em reprodução. O achado serve como ponto de partida para investigações e monitoramento urgentes na área.
É uma doença altamente infecciosa causada pelo patógeno Aphanomyces astaci. Ela é letal para muitas espécies de lagostins, mas o Procambarus clarkii atua como um portador assintomático, o que o torna um vetor perigoso para a fauna nativa.
Não. Uma portaria do Ibama de 2008 proíbe em todo o território nacional a introdução, importação, comercialização, cultivo e transporte de exemplares vivos da espécie Procambarus clarkii para evitar sua disseminação e os consequentes danos ambientais.
O primeiro registro do lagostim-vermelho na Amazônia é um evento de grande relevância científica e ambiental. Ele evidencia a fragilidade das fronteiras ecológicas e a necessidade de um monitoramento rigoroso para detectar e controlar espécies invasoras. As autoridades e a comunidade científica agora enfrentam o desafio de avaliar a extensão da presença do animal e implementar medidas para proteger o maior bioma tropical do mundo.
Um furão-da-Amazônia criado como animal de estimação foi resgatado após se tornar agressivo. Saiba qual o destino do animal e por que a prática é crime.
O Audubon Photography Awards 2026 premiou imagens incríveis, como um colhereiro na Flórida e um corujão no Chile. Veja os vencedores e as fotos que destacam a beleza e os desafios das aves.
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.