Leões-marinhos são vistos com frequência no litoral de Rio Grande (RS), gerando curiosidade. Saiba por que eles aparecem e quais os cuidados necessários.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A imagem de um leão-marinho "sorrindo" ou interagindo amigavelmente com humanos desperta curiosidade, mas a realidade da convivência com esses animais selvagens, especialmente no litoral de Rio Grande (RS), envolve cuidados e conhecimento. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A presença de leões e lobos-marinhos no litoral gaúcho é um fenômeno comum. Muitos desses animais vêm de colônias no Uruguai e na Argentina para se alimentar ou descansar. Segundo Lauro Barcellos, oceanógrafo e diretor dos museus da Furg, é frequente que animais idosos, debilitados ou desnutridos procurem a costa para repouso. O Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), mantido pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), atende cerca de 200 animais marinhos por ano, muitos deles afetados por atividades humanas, como redes de pesca e ingestão de lixo.
Um dos casos mais famosos é o do leão-marinho apelidado de "Chico", que viralizou nas redes sociais após ser visto circulando próximo ao Cais do Porto de Rio Grande durante uma enchente. O animal, já conhecido pelos pescadores locais, ganhou um perfil em uma rede social. De acordo com o Cram, Chico era um de dois machos em idade avançada que escolheram a região para viver após se "aposentarem" de suas colônias reprodutivas. Embora acostumados com a presença humana, especialistas alertam que são animais selvagens.
Embora a interação amigável seja rara na natureza, há registros de comportamentos que se assemelham a um sorriso. Um caso notório ocorreu em um zoológico na Rússia, onde um leão-marinho se aproximava de seu cuidador com a boca aberta para ter os dentes escovados, em um esforço para manter sua higiene bucal. No entanto, é crucial não antropomorfizar o comportamento de animais selvagens encontrados na natureza.
Não. A recomendação do Centro de Recuperação de Animais Marinhos é manter uma distância mínima de dois a três metros. Mesmo que pareçam dóceis, são animais selvagens e podem se sentir ameaçados, reagindo de forma agressiva para se defender.
Ao encontrar um animal marinho encalhado ou com sinais de debilidade, a orientação é não se aproximar, não tentar alimentá-lo e acionar os órgãos competentes. Em Rio Grande, o CRAM/FURG é a entidade responsável pelo resgate e reabilitação desses animais.
A presença de leões-marinhos no litoral do Rio Grande do Sul é um lembrete da rica biodiversidade da região. A convivência harmônica depende do respeito ao espaço desses animais e do trabalho de instituições como o Cram, que garantem o bem-estar e a reabilitação de espécies marinhas, permitindo que muitas delas retornem à natureza.
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