O molusco invasor Limnoperna fortunei avança pela Amazônia mais rápido que o previsto, causando prejuízos de quase US$ 10 milhões anuais ao setor elétrico. Entenda os riscos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), um molusco invasor originário da Ásia, está se espalhando pela Bacia Amazônica em um ritmo mais acelerado do que o previsto por cientistas, gerando alertas sobre os impactos ambientais e econômicos. Atualizado em 23 de outubro de 2026. A espécie já causa prejuízos anuais de quase US$ 10 milhões apenas para o setor elétrico brasileiro, principalmente por obstruir equipamentos de usinas hidrelétricas, segundo dados do Ibama.
Estudos recentes confirmam que o mexilhão-dourado chegou à região amazônica antes do esperado. O primeiro registro documentado na área ocorreu no rio Tocantins em 2023, superando modelos que projetavam sua chegada apenas para a década de 2030, conforme aponta uma pesquisa publicada na revista Actapesca em 2026. Em menos de três anos, a espécie já foi identificada em todos os municípios banhados pelo rio Tocantins, no rio Pará e na ilha de Marajó.
A densidade populacional do molusco também impressiona. Em outubro de 2024, medições no Pedral do Lourenço, uma formação rochosa no rio Tocantins, registraram uma média de 11.940 indivíduos por metro quadrado, com picos de até 15.849, de acordo com um estudo da revista Acta Limnologica Brasiliensia. Esse número representa um crescimento exponencial em comparação aos 88 indivíduos por metro quadrado encontrados no mesmo local em 2023.
O principal impacto econômico do mexilhão-dourado ocorre devido à sua capacidade de formar densas colônias em superfícies submersas, um fenômeno chamado bioincrustação. Essas colônias obstruem tubulações, filtros e sistemas de resfriamento de turbinas em usinas hidrelétricas, forçando paradas não programadas para manutenção.
De acordo com levantamentos históricos do Ibama, o setor elétrico brasileiro gasta, em média, US$ 9,97 milhões por ano em ações de prevenção e controle do molusco. Pelo menos 50 usinas hidrelétricas no país já são afetadas pela praga. Os custos de paralisação podem chegar a R$ 40 mil por dia em uma usina de pequeno porte, enquanto na Usina de Itaipu, os gastos com limpeza já atingiram US$ 1 milhão por dia.
Originário da China, o molusco chegou à América do Sul em 1991, no estuário do rio da Prata, na Argentina. Acredita-se que tenha sido transportado acidentalmente na água de lastro de navios cargueiros. No Brasil, os primeiros registros datam do final da década de 1990, com a entrada pela hidrovia Paraná-Paraguai.
Sua rápida dispersão é atribuída a fatores como:
Além dos prejuízos econômicos ao obstruir estruturas de hidrelétricas, sistemas de abastecimento de água e irrigação, o mexilhão-dourado compete por espaço e alimento com espécies nativas, alterando toda a cadeia alimentar aquática e ameaçando a biodiversidade local.
Não. Especialistas consideram inviável erradicar completamente a espécie de um ambiente após sua instalação. As ações atuais se concentram no monitoramento, prevenção de novas invasões e controle paliativo em instalações industriais.
Os métodos de controle incluem intervenções físicas (raspagem, jateamento de alta pressão, filtração), químicas (uso de compostos clorados e revestimentos especiais) e biológicas (pesquisas com agentes microbianos). A prevenção, como a desinfecção de barcos, é a medida mais eficaz para frear a expansão.
O avanço acelerado do mexilhão-dourado na Amazônia representa um desafio ambiental e econômico significativo. A chegada da espécie à região antes do previsto evidencia a urgência de fortalecer as estratégias de monitoramento e controle para mitigar os danos às hidrelétricas, ao abastecimento de água e à biodiversidade única da maior bacia hidrográfica do mundo.
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