O IPÊ, em parceria com a Bracell, expande o monitoramento do mico-leão-preto para o centro-oeste de SP. A ação busca localizar populações isoladas e fortalecer a conservação da espécie ameaçada. Entenda as etapas.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie símbolo do estado de São Paulo e um dos primatas mais ameaçados do mundo, é o foco de um novo e abrangente censo no centro-oeste paulista. Atualizado em 22 de julho de 2026, o projeto é conduzido pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas em parceria com a Bracell, expandindo as ações de conservação para além do Pontal do Paranapanema, onde se concentram 80% da população da espécie.
A nova fase do Programa de Conservação do Mico-leão-preto abrange municípios como Lençóis Paulista, Iaras, Botucatu, Garça e Alvinlândia, na região de Marília. Segundo o IPÊ, as populações de micos nesta área representam um "elo estratégico" entre os maiores grupos conhecidos da espécie. Mapeá-las é fundamental para fortalecer a conectividade entre os fragmentos de Mata Atlântica e garantir a sobrevivência do animal a longo prazo.
A espécie, que só existe em São Paulo, ocupa hoje menos de 1% de sua área de distribuição original, restrita a cerca de 20 fragmentos florestais. A perda e a fragmentação de habitat são os principais desafios para sua sobrevivência, classificando-a como criticamente ameaçada de extinção.
"Ampliar o conhecimento sobre essas populações é fundamental para fortalecer a conectividade entre fragmentos florestais e garantir a sobrevivência da espécie no longo prazo", afirma Gabriela Rezende, coordenadora do programa no IPÊ.
A iniciativa, que teve início em 2026, será desenvolvida em três etapas principais ao longo dos próximos anos. O objetivo é integrar pesquisa aplicada, manejo de populações e comunicação com as comunidades locais.
A etapa inicial, já em andamento, é dedicada ao monitoramento intensivo para localizar e estimar o tamanho dos grupos de micos-leões-pretos na região. As informações coletadas servirão de base para as próximas estratégias de conservação, como a criação de corredores ecológicos.
Após o mapeamento, o projeto prevê o planejamento e a implementação de estratégias de manejo, que podem incluir a translocação de animais entre populações para aumentar a variabilidade genética. A fase final será de consolidação e avaliação dos resultados, garantindo o impacto positivo e duradouro das ações.
O mico-leão-preto é endêmico da Mata Atlântica do interior do estado de São Paulo. A maior parte da população (cerca de 80%) está concentrada no Pontal do Paranapanema, mas existem pequenas populações isoladas em outros fragmentos florestais, como os que agora estão sendo monitorados no centro-oeste paulista.
A espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção, com um risco "muito alto" de desaparecer da natureza. A principal ameaça é a fragmentação de seu habitat, que isola as populações e reduz sua viabilidade genética.
O projeto é liderado pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, que atua na conservação da espécie há mais de 40 anos. Esta nova fase no centro-oeste paulista é uma parceria com a empresa de celulose Bracell, reforçando a aliança entre ciência e setor privado.
A expansão do monitoramento do mico-leão-preto para o centro-oeste de São Paulo representa um passo vital para a conservação da espécie. Ao identificar e conectar populações isoladas, o projeto do IPÊ e da Bracell renova a esperança de um futuro mais seguro para o primata que é símbolo da biodiversidade paulista, transformando a paisagem fragmentada em um refúgio mais conectado e resiliente.
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