No Deserto do Atacama, um aterro com mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas, vindas da Europa, cresce e já pode ser visto do espaço. Entenda o impacto ambiental e social do 'fast fashion' no Chile.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma montanha com mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas no Deserto do Atacama, norte do Chile, atingiu proporções tão grandes que agora é visível do espaço. Atualizado em 29 de julho de 2026, o aterro clandestino, localizado perto da cidade de Alto Hospício, tornou-se um símbolo gritante do impacto ambiental da indústria de 'fast fashion' e do consumo excessivo de têxteis.
A confirmação de que o "lixão da moda" é visível da órbita terrestre foi feita pela empresa de imagens de satélite SkyFi, que capturou a dimensão do problema. Segundo a companhia, a imagem coloca a poluição em perspectiva e deixa clara a necessidade de mudança na indústria da moda. A ONU já classificou a situação como uma "emergência ambiental e social", conforme relatado por veículos de imprensa.
O fluxo de resíduos têxteis tem uma rota global. De acordo com um relatório da ONU de 2024, a Europa é a principal exportadora mundial de roupas descartadas, respondendo por 30% do total, seguida pelo Reino Unido (16%) e Estados Unidos (15%). Dados do Parlamento Europeu indicam que cada residente do bloco compra, em média, 26 quilos de têxteis por ano e descarta cerca de 11 quilos.
Essas peças são exportadas para a Zona Franca de Iquique (Zofri), no Chile, um dos maiores centros de distribuição de roupas de segunda mão da América Latina. A intenção é revendê-las, mas o que não encontra comprador, sai de moda ou está desgastado é simplesmente descartado no deserto, pois ninguém assume o custo de sua remoção. Investigações de ONGs identificaram peças de marcas como Zara, H&M, Adidas e Nike, muitas ainda com as etiquetas originais.
O problema vai muito além do impacto visual. A maioria das roupas é feita de fibras sintéticas derivadas do petróleo, que não são biodegradáveis. Com o tempo, elas liberam microplásticos e produtos químicos no solo e na atmosfera. Incêndios frequentes no aterro agravam a situação, afetando a qualidade do ar e forçando moradores de Alto Hospício a permanecerem em casa.
"Temos a sensação de que nossa terra foi sacrificada. Somos o lixo do mundo", disse Patrício Ferreira, prefeito de Alto Hospício, à agência AFP. Em resposta à crise, o Primeiro Tribunal Ambiental de Antofagasta ordenou a elaboração de um plano de remediação de dez anos, embora a decisão ainda aguarde revisão pelo Supremo Tribunal do Chile.
A montanha já ultrapassa 60 mil toneladas de roupas descartadas. Ela cresceu tanto que pode ser vista do espaço, conforme confirmado por imagens de satélite da empresa SkyFi.
As peças chegam ao porto de Iquique para serem revendidas na América Latina. No entanto, as roupas que não são vendidas, saem de moda ou se desgastam são descartadas ilegalmente no deserto, pois não há quem assuma o custo de sua remoção e tratamento adequado.
O principal impacto é a poluição. As roupas, muitas de fibras sintéticas, não são biodegradáveis e liberam microplásticos e produtos químicos no solo e na atmosfera. Incêndios frequentes no local também poluem o ar, afetando a saúde dos moradores da cidade vizinha de Alto Hospício.
A montanha de roupas no Atacama é um testemunho visível e alarmante das consequências do consumo desenfreado e da indústria do 'fast fashion'. Enquanto as imagens de satélite mostram o crescimento contínuo do aterro, a crise ambiental e social na região exige soluções urgentes e uma reavaliação global dos padrões de produção e descarte de têxteis.
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