Descoberta inédita na Reserva Cunhataí-Porã reforça a importância da área para a conservação de uma das aves de rapina mais imponentes do país. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um ninho de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) foi encontrado pela primeira vez na Reserva Cunhataí-Porã, em São José do Rio Claro, Mato Grosso. Atualizado em 23 de julho de 2026, o achado inédito foi realizado pelo guia e estudante de Biologia Lucas Souza, que monitora a fauna na propriedade e reforça o papel da reserva como um santuário para espécies ameaçadas.
A descoberta ocorreu enquanto Lucas Souza realizava a checagem de armadilhas fotográficas. Conforme relatado ao G1, ele observou um gavião-de-penacho pousar e, em seguida, um segundo indivíduo cruzar a estrada carregando um galho. Após duas horas de busca na mata, Souza localizou o ninho com a fêmea pousada sobre ele, um momento que descreveu como "inesquecível".
Desde então, Souza e Iraceldo Luiz de Cézaro, proprietário da reserva, iniciaram um monitoramento diário do casal a uma distância segura de 40 metros. O acompanhamento já rendeu registros raros, como o momento exato da cópula das aves, evidenciando o início do ciclo reprodutivo da espécie no local.
Considerado uma das aves de rapina mais imponentes do Brasil, o gavião-de-penacho mede entre 58 e 67 centímetros, com as fêmeas sendo maiores e mais pesadas que os machos. Sua plumagem é distinta, com um notável penacho negro na cabeça que pode atingir 10 centímetros, peito castanho-avermelhado e ventre branco com barras negras. A espécie habita florestas bem preservadas, desde o sul do México até o norte da Argentina.
O gavião-de-penacho é uma espécie sensível à fragmentação de habitat e à presença humana. Fora da Amazônia, é considerado ameaçado de extinção, especialmente no bioma da Mata Atlântica. A presença de um ninho ativo na Reserva Cunhataí-Porã é um forte indicador da saúde e do alto grau de preservação do ecossistema local, que também serve de refúgio para outras espécies, como a harpia.
A dieta do gavião-de-penacho é diversificada, incluindo aves como tucanos e araras, e mamíferos como cutias e quatis, o que o posiciona no topo da cadeia alimentar e o torna essencial para o equilíbrio ecológico.
A espécie não está na lista nacional de ameaçadas, mas é considerada criticamente ameaçada em vários estados sob o domínio da Mata Atlântica devido à destruição de seu habitat.
Ele constrói uma grande plataforma com galhos no topo de árvores altas, geralmente entre 16 e 30 metros de altura, em uma bifurcação primária do tronco.
A fêmea geralmente coloca um único ovo por ciclo reprodutivo. O filhote depende dos pais por mais de um ano, o que resulta em um intervalo de pelo menos dois anos entre uma reprodução e outra.
O registro do primeiro ninho de gavião-de-penacho na Reserva Cunhataí-Porã é um marco para a conservação da biodiversidade em Mato Grosso. A descoberta não apenas fornece dados valiosos sobre o ciclo reprodutivo da espécie, mas também destaca a importância de áreas protegidas privadas para a sobrevivência de predadores de topo, essenciais para a saúde das florestas.
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