A população do kākāpō, o papagaio mais pesado do mundo, superou 300 indivíduos pela primeira vez em décadas. Entenda o sucesso do programa de conservação.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A população do kākāpō, o papagaio mais pesado do mundo, ultrapassou a marca de 300 indivíduos pela primeira vez em aproximadamente 75 anos, um marco para a conservação da espécie. Atualizado em 5 de setembro de 2026, o número total de aves chegou a 325 após uma temporada de reprodução recorde que adicionou 90 filhotes à contagem, conforme relatado por autoridades de conservação da Nova Zelândia.
Este papagaio noturno e que não voa, nativo da Nova Zelândia, estava à beira da extinção, com apenas 51 espécimes registrados em 1995, quando um programa de recuperação intensivo foi estabelecido.
O declínio drástico da população do kākāpō começou com a chegada de colonos humanos e, consequentemente, de predadores não nativos, como gatos, ratos e arminhos. Por ter evoluído em um ambiente sem predadores mamíferos, o kākāpō não desenvolveu mecanismos de defesa eficazes, tornando-se uma presa fácil. Além da predação, a caça e o desmatamento de seu habitat aceleraram sua jornada rumo à extinção.
A recuperação da espécie é particularmente desafiadora devido ao seu ciclo reprodutivo incomum. Os kākāpōs só se reproduzem a cada dois a quatro anos, um evento que depende da frutificação em massa da árvore nativa rimu. As bagas desta árvore são uma fonte crucial de nutrientes para as aves. A recente temporada de sucesso ocorreu após um intervalo de quatro anos sem reprodução, impulsionada por uma colheita farta de frutos de rimu.
O programa de recuperação do kākāpō, iniciado em 1995, transferiu todas as aves sobreviventes para três ilhas santuário, livres de predadores. Cientistas e voluntários monitoram cada indivíduo de perto, utilizando transmissores para acompanhar saúde, status de nidificação e até mesmo com quem acasalaram. Esse esforço meticuloso tem sido fundamental para combater problemas de infertilidade e garantir a sobrevivência dos filhotes.
Os rituais de acasalamento do kākāpō são únicos. Os machos se reúnem em uma área comum, chamada "lek", e emitem um som grave e estrondoso de buracos no chão para atrair as fêmeas. Esse chamado pode viajar por até cinco quilômetros. Após o acasalamento, a fêmea cuida sozinha dos ovos e dos filhotes por cerca de seis meses.
O kākāpō é o papagaio mais pesado do mundo, podendo atingir até 4 kg. As fêmeas geralmente são menores que os machos.
A espécie evoluiu na Nova Zelândia em um ambiente sem predadores mamíferos. Como resultado, gradualmente perdeu a capacidade de voar, tornando-se uma ave terrestre e ganhando mais peso corporal.
O kākāpō é endêmico da Nova Zelândia. Atualmente, toda a população vive em ilhas protegidas e livres de predadores, como parte de um programa de conservação intensivo.
O aumento da população do kākāpō para 325 indivíduos é uma vitória significativa para a conservação da biodiversidade. O sucesso demonstra como esforços científicos dedicados e estratégias de manejo de habitat podem reverter cenários críticos de extinção, oferecendo um futuro mais promissor para uma das aves mais raras e fascinantes do planeta.
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