Iniciativa em Porto Seguro paga R$ 10 por peixe-leão para conter a espécie invasora. Veja como o programa funciona e os impactos para o ecossistema marinho.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Quase mil exemplares do peixe-leão, uma espécie invasora e venenosa, foram capturados no litoral do Extremo Sul da Bahia em apenas dois meses. Atualizado em 9 de outubro de 2026. A ação faz parte de uma iniciativa da Prefeitura de Porto Seguro que oferece um incentivo financeiro de R$ 10 por cada peixe entregue por pescadores, visando controlar a proliferação do animal que ameaça a biodiversidade local.
Segundo dados oficiais, 966 peixes-leão foram entregues na Colônia de Pescadores Z-22 entre agosto e setembro. Foram 442 exemplares no primeiro mês e outros 524 no segundo, conforme divulgado pela prefeitura. A medida integra o Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão, que busca engajar a comunidade pesqueira no combate à espécie.
O peixe-leão (Pterois volitans), nativo da região do Indo-Pacífico, é considerado uma das espécies invasoras mais perigosas para a costa brasileira. Sem predadores naturais no Atlântico, ele se reproduz rapidamente e é um predador voraz, alimentando-se de peixes e crustáceos nativos, o que desequilibra o ecossistema e afeta diretamente a atividade pesqueira.
Além do impacto ambiental, o animal representa um risco à saúde humana. Seus 18 espinhos dorsais, pélvicos e anais contêm um veneno neurotóxico que, em caso de contato, pode causar dor intensa, náuseas, vômitos e até convulsões, de acordo com especialistas.
Os exemplares coletados em boas condições são destinados à pesquisa científica. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) utiliza os peixes para estudos sobre sua biologia, alimentação e distribuição na costa brasileira. Além disso, uma amostra foi enviada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) para avaliar o potencial gastronômico do pescado, uma estratégia que pode, no futuro, transformar o controle da espécie em uma atividade economicamente sustentável.
Além de Porto Seguro e outras áreas do Extremo Sul, há registros confirmados da espécie em Morro de São Paulo, Taipu de Dentro (Maraú) e até em praias de Salvador, como o Farol da Barra e o Porto da Barra. A presença em áreas protegidas, como o Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, também acendeu o alerta, exigindo ações de captura por equipes especializadas.
Sim, a carne do peixe-leão é considerada segura para consumo e até uma iguaria em diversas partes do mundo. O veneno está concentrado nos espinhos, que devem ser removidos com cuidado por profissionais capacitados. A Prefeitura de Porto Seguro estuda a viabilidade de inserir o peixe na cadeia produtiva local como forma de controle a longo prazo.
A orientação das autoridades ambientais é não tocar, manusear ou tentar capturar o animal. Devido aos espinhos venenosos, o contato pode causar acidentes graves. O ideal é se afastar e, se possível, comunicar a ocorrência aos órgãos competentes, como a secretaria de meio ambiente do município.
A iniciativa de Porto Seguro, embora temporária, demonstra resultados iniciais positivos ao retirar quase mil exemplares da espécie invasora do mar em pouco tempo. A estratégia combina o conhecimento prático dos pescadores com a pesquisa científica e aponta para um futuro onde o controle do peixe-leão pode envolver também seu aproveitamento econômico, protegendo a biodiversidade marinha da Bahia.
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