Operação de manejo aprovada pelo ICMBio retira 138 peixes-leão, espécie invasora e venenosa, do mar de Fernando de Noronha, reforçando o alerta ambiental.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Mergulhadores capturaram 138 peixes-leão em Fernando de Noronha nesta quarta-feira (28), em uma operação que reforça o alerta sobre a rápida proliferação da espécie invasora no arquipélago. Atualizado em 30 de outubro de 2026. A ação, realizada pela operadora Sea Paradise com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocorreu em um ponto conhecido como Cabeço 47, a 47 metros de profundidade.
A captura expressiva acontece pouco depois de outra grande remoção no início do mês, quando 312 peixes-leão foram retirados da área do porto de Santo Antônio. Segundo Fernando Rodrigues, coordenador da operação, os números demonstram a alta capacidade de reprodução da espécie. "Isso mostra a eficiência da espécie invasora, que está se reproduzindo muito rápido. Se diminuirmos o esforço de captura, eles podem tomar conta da área", afirmou Rodrigues em entrevista ao G1 e outros veículos.
O monitoramento contínuo em pontos já mapeados tem sido crucial para avaliar a taxa de repovoamento e conter o avanço do peixe-leão, que ameaça o delicado ecossistema marinho local.
Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) foi registrado pela primeira vez em Fernando de Noronha em dezembro de 2020. Desde então, sua população tem crescido, gerando preocupação entre pesquisadores e ambientalistas. A espécie representa uma grave ameaça por diversas razões:
O peixe-leão é uma ameaça por ser uma espécie exótica invasora, sem predadores naturais no Atlântico. Ele se alimenta de forma voraz de espécies nativas, competindo por recursos e causando um grave desequilíbrio no ecossistema marinho, com potencial para dizimar populações de peixes locais.
Os espécimes capturados são entregues ao ICMBio, que os distribui para instituições de pesquisa, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Projeto Conservação Recifal. Os peixes são utilizados em estudos para entender melhor a biologia, a genética e o impacto da espécie invasora no Brasil.
O primeiro registro oficial da captura de um peixe-leão em Fernando de Noronha ocorreu em dezembro de 2020. Desde essa data, mais de mil indivíduos da espécie já foram capturados no arquipélago, segundo dados do ICMBio divulgados em 2024.
A captura de 138 peixes-leão em uma única operação evidencia a urgência e a importância das ações de manejo contínuas em Fernando de Noronha. A colaboração entre o ICMBio, operadoras de mergulho e a comunidade científica é fundamental para monitorar e controlar a população dessa espécie invasora, protegendo a biodiversidade única de um dos mais importantes santuários ecológicos do Brasil.
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