Após mais de um século extinto na Serra das Almas (CE), o periquito-cara-suja teve os primeiros filhotes nascidos em liberdade. Entenda o marco histórico.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), uma das aves mais ameaçadas da Caatinga, voltou a se reproduzir em vida livre na Reserva Natural Serra das Almas, no Ceará, após 114 anos sem registros na região. Atualizado em 22 de junho de 2026, o marco histórico ocorreu em 17 de março de 2026, com o nascimento dos primeiros filhotes, resultado de um ambicioso projeto de reintrodução da espécie.
O sucesso é fruto do projeto Refaunar Arvorar, uma iniciativa do Parque Arvorar em parceria com as ONGs Associação Caatinga e Aquasis, com apoio de órgãos como o Ibama. A ação começou a ser preparada em setembro de 2023 com a construção de um viveiro de aclimatação na Reserva Natural Serra das Almas, localizada entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI).
As primeiras aves, algumas vindas da Serra de Baturité e outras resgatadas de apreensões, foram transferidas para a reserva em 2024. Após um período de adaptação, 18 indivíduos foram soltos em dezembro do mesmo ano, marcando o início do repovoamento, conforme detalhado pela Associação Caatinga.
O principal avanço do projeto foi registrado no início de 2026. Em fevereiro, pesquisadores encontraram os primeiros ovos nas caixas-ninho instaladas para simular cavidades de árvores. Em 17 de março, o nascimento dos primeiros filhotes em vida livre foi confirmado, um evento celebrado como um indicador crucial de sucesso.
Fábio Nunes, coordenador do Projeto Cara-Suja pela Aquasis, destacou que a reprodução é um dos sinais mais importantes de que a reintrodução está funcionando. "O fato de o cara-suja já estar se reproduzindo na Serra das Almas apenas um ano após sua chegada mostra que a espécie está conseguindo se estabelecer bem nesse novo ambiente", afirmou em comunicado da Associação Caatinga.
A reprodução em liberdade indica que as aves reintroduzidas se adaptaram ao novo habitat, encontrando alimento, formando casais e iniciando um novo ciclo reprodutivo. A espécie, que já foi classificada como "criticamente em perigo" (CR), hoje está na categoria "em perigo" (EN), graças a esforços de conservação.
As principais ameaças ao periquito-cara-suja são a destruição de seu habitat na Caatinga, a escassez de árvores com cavidades para ninhos e a captura para o tráfico de animais. O sucesso na Serra das Almas, onde cerca de 23 indivíduos já vivem soltos, renova a esperança para a sobrevivência da ave e abre caminho para futuras reintroduções de outras espécies.
Não. A espécie está classificada como "em perigo" de extinção. Ela estava localmente extinta na região da Serra das Almas há 114 anos, mas populações ainda existiam em outras áreas, como a Serra de Baturité, no Ceará.
É uma ave nativa do Ceará, habitando áreas de Caatinga e matas úmidas de altitude. A população selvagem principal está concentrada na Serra de Baturité, e agora uma nova população está sendo estabelecida na Reserva Natural Serra das Almas.
As maiores ameaças são a destruição do habitat natural para agricultura e pecuária, a falta de cavidades em árvores para a reprodução e a captura ilegal para o comércio de animais silvestres, segundo especialistas da Aquasis.
O nascimento dos primeiros filhotes de periquito-cara-suja em liberdade na Serra das Almas é mais do que uma boa notícia: é a prova de que esforços conjuntos de conservação podem reverter quadros de extinção local. O trabalho de monitoramento continua para garantir que a nova população se torne autossustentável e que o canto desta ave rara continue ecoando na Caatinga.
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