Entenda como a poeira do deserto do Saara viaja milhares de quilômetros para depositar 22 mil toneladas de fósforo e nutrir a Floresta Amazônica anualmente.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Todos os anos, um fenômeno notável conecta dois dos ecossistemas mais extremos do planeta: o Deserto do Saara e a Floresta Amazônica. Cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira viajam mais de 5 mil quilômetros sobre o Oceano Atlântico para fertilizar o solo amazônico, um processo vital para a manutenção da maior floresta tropical do mundo. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Estudos da NASA, utilizando dados de satélite coletados entre 2007 e 2013, quantificaram pela primeira vez essa impressionante ponte aérea natural. Anualmente, cerca de 182 milhões de toneladas de poeira são levantadas do Saara pelos ventos alísios. Desse total, aproximadamente 27,7 milhões de toneladas, o suficiente para encher 105 mil caminhões, são depositadas na bacia amazônica, conforme aponta um estudo divulgado pelo jornal O Globo.
O componente mais valioso dessa poeira é o fósforo. A cada ano, a Amazônia recebe cerca de 22 mil toneladas desse nutriente, que é fundamental para o crescimento das plantas. Essa quantidade é quase a mesma que a floresta perde anualmente devido às intensas chuvas que "lavam" o solo, de acordo com o portal Mata Nativa.
Apesar de sua exuberância, o solo amazônico é naturalmente pobre em nutrientes. As chuvas constantes removem minerais essenciais, como o fósforo, que são vitais para processos como a formação de raízes, folhas e sementes. O "reforço" vindo do Saara funciona como um fertilizante natural que ajuda a compensar essa perda, mantendo o equilíbrio do ecossistema há milhares de anos, como explica o Correio 24 Horas.
A origem desse fósforo remonta a milhares de anos, quando o Saara era uma região de savanas com lagos repletos de vida. A decomposição de microrganismos e peixes enriqueceu o solo, que hoje é transportado pelos ventos.
Apesar de relatos sobre "nuvens de poeira" no céu da região Norte, meteorologistas esclarecem que o fenômeno não é visível a olho nu. As partículas que chegam à Amazônia são microscópicas, cerca de 30 vezes menores que um fio de cabelo, segundo o portal GZH. O que muitas vezes é confundido com a poeira é, na verdade, neblina, causada pela alta umidade e baixa temperatura, conforme explicou um especialista ao G1. A poeira só pode ser detectada por sensores específicos.
Além de fertilizar o solo, as partículas de poeira servem como núcleos de condensação, ajudando na formação de nuvens de chuva sobre a Amazônia. No entanto, o fenômeno também apresenta efeitos negativos. A poeira pode piorar a qualidade do ar ao elevar os níveis de partículas PM₂,₅, representando um risco para pessoas com problemas respiratórios. Além disso, a poeira que se deposita no Caribe pode conter elementos como o cobre, que são tóxicos para os corais.
Aproximadamente 27,7 milhões de toneladas de poeira do Saara são depositadas na bacia amazônica anualmente, segundo dados da NASA.
O principal nutriente é o fósforo. Estima-se que 22 mil toneladas de fósforo cheguem à Amazônia a cada ano, quantidade essencial para compensar as perdas nutricionais do solo causadas pelas chuvas.
Não. As partículas são microscópicas e imperceptíveis ao olho humano. O que pode ser visto no céu, como névoa ou neblina, é resultado de condições de umidade e temperatura, não da poeira em si.
A travessia da poeira do Saara até a Amazônia é um dos exemplos mais claros de como os ecossistemas do planeta estão interligados. O maior deserto quente do mundo desempenha um papel crucial na manutenção da biodiversidade da maior floresta tropical, um ciclo natural que reforça a importância de entender e preservar esses equilíbrios diante das mudanças climáticas.
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