Considerado extinto na Cornualha, o rato-d'água-europeu foi reintroduzido com quase 200 indivíduos. Entenda como a restauração do habitat tornou o retorno possível.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O rato-d'água-europeu (Arvicola amphibius), um pequeno mamífero declarado localmente extinto na Cornualha, Inglaterra, nos anos 1990, está de volta aos rios da região. Atualizado em 23 de julho de 2026, um projeto de reintrodução bem-sucedido devolveu quase 200 indivíduos ao ambiente, emocionando moradores e biólogos e destacando a importância da recuperação de ecossistemas.
O animal que retornou aos rios da Cornualha é o rato-d'água-europeu, um roedor semiaquático que havia desaparecido da região. Conforme apurado, o projeto realizou duas solturas em Trelusback: a primeira com 114 animais em setembro de 2022 e a segunda com 84 em junho de 2023, totalizando 198 indivíduos. O objetivo é restabelecer uma população autossustentável em uma área com riachos, lagoas e vegetação de margem restaurada.
O declínio e a extinção local do rato-d'água nos anos 1990 foram causados por uma combinação de fatores que destruíram seu habitat e introduziram uma nova ameaça. As principais causas, segundo especialistas, foram:
Antes de soltar os animais, uma equipe de conservacionistas trabalhou para garantir que o ambiente oferecesse as condições necessárias de água, alimento e proteção. As medidas incluíram a recuperação de lagoas que estavam secas, o manejo de árvores para permitir a entrada de luz solar nas margens e a manutenção de arbustos para servirem de abrigo. Além disso, foi implementado um sistema de monitoramento para controlar a presença do predador vison-americano, garantindo a segurança dos ratos-d'água reintroduzidos.
O rato-d'água-europeu é considerado um "pequeno engenheiro do ecossistema". Ao se alimentar de plantas aquáticas e cavar tocas nos barrancos, ele ajuda a diversificar a vegetação, movimenta o solo e cria micro-habitats que podem ser aproveitados por outros organismos. Sua volta também restaura uma parte importante da cadeia alimentar, servindo como presa para espécies como corujas, garças, lontras e raposas.
O projeto de reintrodução na Cornualha soltou um total de 198 ratos-d'água em duas etapas. A primeira, em setembro de 2022, liberou 114 animais, e a segunda, em junho de 2023, adicionou mais 84 indivíduos para reforçar a população inicial.
A reintrodução de espécies, ou rewilding, é uma estratégia de conservação que busca restaurar ecossistemas por meio da devolução de animais nativos que foram extintos localmente. O objetivo é recuperar funções ecológicas perdidas e combater a chamada "síndrome da floresta vazia", onde a vegetação existe, mas a fauna não, conforme explicam especialistas da área.
O retorno do rato-d'água aos rios da Cornualha é um marco para a conservação e um exemplo prático de que a restauração de habitats é fundamental para reverter perdas de biodiversidade. Embora o futuro da população dependa de monitoramento contínuo e da manutenção das condições ambientais, a presença e os sinais de atividade dos animais já representam uma vitória para o ecossistema local.
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