Um produtor rural registrou o momento em que uma sucuri domina uma capivara às margens de um córrego em Sidrolândia (MS). Entenda como a cobra caça e o que fazer.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 26 de abril de 2026. Um vídeo impressionante registrou o momento exato em que uma sucuri foi flagrada caçando e dominando uma capivara em uma fazenda de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. A cena, que mostra a força da maior cobra das Américas, foi filmada por um produtor rural e rapidamente viralizou nas redes sociais.
Na tarde de 23 de abril de 2026, o produtor rural César Bertoldo passava por uma estrada vicinal na Fazenda Refúgio, a cerca de 20 quilômetros de Sidrolândia, quando se deparou com a cena. Ele filmou a sucuri já enrolada na capivara, arrastando o maior roedor do mundo para a margem de um córrego que corta a propriedade, conforme relatado ao G1 e outros veículos.
Bertoldo afirmou que, embora seja comum avistar capivaras e porcos na região, foi a primeira vez que presenciou uma sucuri no local. O registro é considerado raro, pois a caça geralmente ocorre de forma sorrateira, muitas vezes debaixo d'água.
Diferente do que muitos pensam, a sucuri não é venenosa. Sua estratégia de caça é baseada na força bruta, utilizando um método chamado constrição.
A sucuri-verde (Eunectes murinus) é uma predadora de emboscada. Ela espera pacientemente, submersa ou na vegetação da margem, e dá o bote para prender a presa com seus dentes curvados para trás. Em seguida, enrola seu corpo musculoso ao redor da vítima. A cada vez que a presa expira, a cobra aperta mais, interrompendo a circulação sanguínea e causando uma parada cardíaca. Após a morte, ela engole o animal inteiro, começando pela cabeça.
A capivara é uma das presas mais comuns da sucuri, principalmente porque ambos os animais compartilham o mesmo habitat de rios, lagoas e áreas alagadas. Além de capivaras, o cardápio da sucuri inclui:
Após uma refeição grande, como uma capivara, a sucuri pode passar semanas ou até meses em processo de digestão, com o metabolismo mais lento.
A presença de grandes predadores como a sucuri em áreas rurais levanta dúvidas sobre segurança e convivência. Especialistas indicam que a expansão de atividades agrícolas e a degradação de habitats naturais podem aumentar esses encontros.
A recomendação principal é manter a distância e não tentar interagir, capturar ou matar o animal. Sucuris não costumam atacar humanos, mas podem se defender se sentirem-se ameaçadas. Afaste crianças e animais domésticos do local e, se a cobra estiver em uma área de risco (como dentro de uma casa ou curral), acione o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar Ambiental.
A proximidade entre matas nativas, cursos d'água e pastagens cria um ambiente onde a sucuri encontra presas. O descarte inadequado de lixo pode atrair roedores, que por sua vez atraem as cobras. Além disso, queimadas e o desmatamento de áreas úmidas forçam a fauna a se deslocar para áreas de produção rural.
Sim, o abate de animais silvestres sem autorização é crime ambiental no Brasil. As sucuris desempenham um papel importante no ecossistema, controlando a população de roedores e outros animais, o que ajuda a manter o equilíbrio ambiental.
O flagrante em Sidrolândia serve como um lembrete da vida selvagem que coexiste com as atividades humanas no Centro-Oeste brasileiro. O vídeo não apenas documenta um comportamento natural fascinante, mas também destaca a importância de preservar os habitats e aprender a conviver de forma segura com esses grandes répteis.
Após 4 anos de monitoramento no Cerrado, o raro tamanduá-bandeira albino Alvinho segue saudável, superando os riscos de sua condição. Saiba como ele se adaptou.
Conheça a Wallis Annenberg Wildlife Crossing, na Califórnia, que atravessa 10 faixas da rodovia US-101 para salvar pumas e outras espécies do atropelamento.
Mais de 50 caravelas-portuguesas foram encontradas na Praia de Guriri (ES). O contato com o animal é perigoso; saiba quais os riscos e como agir em caso de acidente.
Um raro registro de uma fêmea de lobo-guará com três filhotes na Estação Ecológica Barreiro Rico, em SP, traz esperança para a conservação da espécie. Saiba mais.