Considerado extinto no RS, o mamífero foi visto no Parque Estadual do Espinilho. Entenda como um projeto de reintrodução na Argentina tornou possível este marco.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), considerado extinto no Rio Grande do Sul há 130 anos, foi oficialmente registrado novamente no estado. Atualizado em 22 de junho de 2026, o avistamento ocorreu no Parque Estadual do Espinilho, na fronteira com a Argentina, e é resultado direto de um bem-sucedido projeto de reintrodução da espécie no país vizinho.
O registro histórico foi feito por armadilhas fotográficas instaladas no Parque Estadual do Espinilho, no sudoeste do Rio Grande do Sul. Segundo o ecologista Fábio Mazim, do Instituto Pró-Carnívoros, a equipe se surpreendeu ao ver o animal nas imagens, já que o último avistamento confirmado na região datava de 1890. Conforme relatado pela Mongabay, desde agosto de 2023, a espécie foi vista 11 vezes, embora não se saiba se é o mesmo indivíduo ou vários.
O reaparecimento do tamanduá-bandeira no Brasil está diretamente ligado ao trabalho da ONG Rewilding Argentina. Desde 2007, a organização conduz um projeto pioneiro de reintrodução da espécie no Parque Nacional Iberá, na província de Corrientes, a cerca de 150 km do local do avistamento no Brasil. De acordo com informações de O Povo e O Antagonista, mais de 110 indivíduos, muitos deles órfãos resgatados, foram soltos na natureza. O sucesso foi tanto que os animais começaram a se dispersar naturalmente, com alguns percorrendo mais de 100 quilômetros e cruzando a fronteira.
O tamanduá-bandeira é uma espécie-chave para o equilíbrio do ecossistema. Ele atua como um controlador biológico, consumindo cerca de 30 mil formigas e cupins por dia, segundo a SOS Pantanal. Sua presença é um forte indicador da saúde ambiental de uma região. Classificado como "Vulnerável" à extinção pela IUCN, o animal enfrenta ameaças como perda de habitat, atropelamentos em rodovias, incêndios florestais e caça ilegal.
A espécie foi extinta na região há mais de um século devido à combinação de caça e perda de habitat, causada principalmente pela expansão da agropecuária, que fragmentou e destruiu os ambientes naturais onde o animal vivia.
Seu principal papel é o controle de populações de insetos. Ao se alimentar de milhares de formigas e cupins diariamente, ele ajuda a manter o equilíbrio do solo e da vegetação. Sua presença indica que o ecossistema tem recursos para sustentar um mamífero de grande porte.
As maiores ameaças atuais são a perda e fragmentação de habitat para agricultura, os atropelamentos em rodovias, os incêndios florestais que destroem seu ambiente e a caça, muitas vezes motivada por desinformação, conforme aponta a organização SOS Pantanal.
O retorno do tamanduá-bandeira ao Rio Grande do Sul é um marco para a conservação na América do Sul. Ele demonstra que projetos de reintrodução bem planejados podem reverter cenários de extinção local e que a natureza pode se recuperar quando recebe uma oportunidade. O desafio agora é garantir que as ameaças, como os atropelamentos e a degradação de habitat, sejam controladas para que este retorno se transforme em uma população estável e duradoura.
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