Um registro raro no Parque Estadual do Espinilho confirma o retorno do tamanduá-bandeira ao Rio Grande do Sul. Saiba como um projeto argentino tornou isso possível.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Após 130 anos considerado extinto no Rio Grande do Sul, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) foi oficialmente registrado no estado. Imagens de câmeras de monitoramento no Parque Estadual do Espinilho, na fronteira com a Argentina, confirmam o retorno da espécie, um marco para a conservação na América Latina que emociona especialistas.
O reaparecimento do tamanduá-bandeira no bioma Pampa não é um acaso, mas o resultado direto de um dos maiores projetos de reintrodução de fauna do mundo. A iniciativa, liderada pela Rewilding Argentina nos Esteros del Iberá, na província de Corrientes, começou em 2007 com a soltura de apenas dois indivíduos.
Desde então, mais de 110 tamanduás, muitos deles filhotes órfãos resgatados de caça e atropelamentos, foram reintroduzidos na natureza. Com o sucesso do projeto, várias gerações de animais já nasceram em liberdade e a população consolidada começou a se dispersar naturalmente, buscando novos territórios. Segundo a veterinária Flávia Miranda, presidente do Instituto Tamanduá, é quase certo que o animal avistado no Brasil tenha vindo da população reintroduzida na Argentina.
O tamanduá-bandeira é considerado uma espécie-chave para o equilíbrio ambiental. Sua dieta, baseada em formigas e cupins, o torna um controlador natural de populações de insetos. Um único animal pode consumir até 30 mil insetos por dia, um serviço ecossistêmico fundamental para a saúde do solo e da vegetação.
Além disso, a presença do tamanduá-bandeira funciona como um indicador de qualidade ambiental. Seu retorno ao Parque Estadual do Espinilho sugere que o ecossistema local possui condições de alimento, abrigo e conectividade para sustentar um mamífero de grande porte, sinalizando o sucesso dos esforços de conservação na região.
Apesar do avanço significativo, a sobrevivência do tamanduá-bandeira a longo prazo ainda enfrenta sérias ameaças. As principais são:
Especialistas alertam que, sem ações como a criação de passagens de fauna e o controle do desmatamento, a recuperação da espécie pode ser revertida.
O registro foi feito por câmeras de monitoramento no Parque Estadual do Espinilho, uma unidade de conservação localizada no sudoeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina.
A espécie foi considerada extinta no estado por cerca de 130 anos devido à caça e à intensa perda de habitat, causada principalmente pela expansão da agropecuária que destruiu grandes áreas do bioma Pampa.
O retorno foi possível graças ao sucesso do projeto de reintrodução de fauna da Rewilding Argentina, iniciado em 2007 nos Esteros del Iberá. O programa já devolveu mais de 110 tamanduás à natureza, criando uma população autossustentável que agora se expande para territórios históricos.
O reaparecimento do tamanduá-bandeira no Rio Grande do Sul é uma vitória para a biodiversidade sul-americana e a prova de que projetos de conservação bem planejados podem reverter cenários de extinção. O animal que cruzou a fronteira simboliza a esperança e a resiliência da natureza, mas também serve como um alerta sobre a necessidade urgente de proteger os corredores ecológicos e mitigar as ameaças que ainda colocam em risco sua sobrevivência.
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