O aumento da temperatura dos oceanos está alterando o comportamento migratório e a reprodução das tartarugas marinhas. Entenda os principais riscos e efeitos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
As mudanças climáticas estão impactando diretamente a vida das tartarugas marinhas, alterando desde suas rotas migratórias até o equilíbrio de suas populações. Atualizado em 22 de junho de 2026, estudos e projetos de conservação apontam que o aumento da temperatura dos oceanos pode modificar o comportamento e os hábitos alimentares desses animais, representando uma séria ameaça à sua sobrevivência.
O aquecimento global provoca mudanças nas correntes oceânicas, que são fundamentais para as longas jornadas das tartarugas marinhas. Segundo o Projeto Tamar, essas alterações podem modificar o comportamento migratório e os hábitos alimentares das espécies. Além disso, o aumento da temperatura pode intensificar a acidificação dos oceanos, afetando a disponibilidade de alimento, como corais, que são essenciais para a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata).
Um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas ocorre em terra. O sexo dos filhotes de tartaruga marinha é determinado pela temperatura da areia durante a incubação dos ovos. Temperaturas mais altas tendem a produzir um número maior de fêmeas, o que, a longo prazo, pode gerar um grave desequilíbrio populacional e comprometer o futuro da espécie. Este fenômeno é conhecido como determinação sexual dependente da temperatura (DSDT), conforme explicado por especialistas do Tamar.
Apesar do cenário preocupante, um projeto de conservação no atol de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, trouxe um dado animador na temporada 2024-2025. Sensores instalados nos ninhos registraram um equilíbrio raro, com cerca de 54% dos mais de 15 mil filhotes nascidos sendo machos, um alívio diante do risco de desequilíbrio causado pelo aquecimento global.
As praias, que servem de berçário para as tartarugas, também estão em risco. O derretimento das calotas polares eleva o nível do mar, o que pode levar à perda de áreas de desova. Tempestades mais fortes, intensificadas pelo calor, aumentam a erosão costeira, destruindo os locais que as tartarugas utilizam para depositar seus ovos. No Brasil, o litoral norte do Espírito Santo é a única área com desovas regulares da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), uma espécie criticamente em perigo.
A determinação do sexo das tartarugas marinhas depende da temperatura de incubação dos ovos. Temperaturas mais baixas produzem machos, enquanto temperaturas mais altas resultam no nascimento de fêmeas. O aquecimento global ameaça esse equilíbrio, podendo levar a populações com excesso de fêmeas.
Sim, muitas espécies, como a tartaruga-verde (Chelonia mydas), atravessam oceanos e, mesmo após décadas, retornam exatamente à praia onde nasceram para depositar seus ovos. Esse comportamento reforça a importância de preservar esses ambientes específicos.
As espécies mais frequentes no litoral brasileiro são a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Com menor frequência, também podem ser encontradas a tartaruga-verde (Chelonia mydas) e a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata).
As tartarugas marinhas enfrentam uma corrida contra o tempo. As mudanças climáticas, impulsionadas pelo aquecimento global, ameaçam seus ciclos de vida de múltiplas formas, desde a alteração de suas rotas milenares até o risco de um desequilíbrio de gênero que pode comprometer sua existência. A conservação de suas áreas de desova e o monitoramento contínuo são essenciais para garantir o futuro desses animais.
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