Cansado do calor extremo, morador de comunidade no Rio troca telhas por um jardim vivo. Entenda como a cobertura verde reduziu a temperatura em até 15°C.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em meio às ondas de calor que transformam casas em verdadeiros fornos no Rio de Janeiro, uma solução inovadora e de baixo custo está mudando a realidade de moradores de comunidades. Luiz Cassiano Silva, ativista ambiental da comunidade do Arará, trocou as telhas convencionais por um jardim vivo e conseguiu reduzir a temperatura interna de sua casa em até 15°C. Atualizado em 24 de maio de 2026.
Luiz Cassiano, também conhecido como "Sanduba", sentiu na pele a mudança de morar em São Conrado, perto da Mata Atlântica, para a comunidade do Arará, uma "selva de pedra" com casas muito próximas e poucas árvores. O calor intenso, agravado por telhados que retêm o sol, começou a afetar sua saúde, causando crises de ansiedade, conforme relatou à Agência de Notícias das Favelas.
Inspirado pela sugestão de um amigo, ele começou a pesquisar sobre telhados verdes. A iniciativa culminou em uma parceria com o biólogo Bruno Rezende, da UFRJ, que implementou a técnica na casa de Luiz como parte de sua tese de doutorado, adaptando a solução para o clima tropical e a realidade das favelas.
Diferente de sistemas caros vistos em shoppings, o modelo desenvolvido por Luiz e Bruno é acessível e seguro para as estruturas das casas em comunidades. A técnica evita o uso de terra pesada, que poderia comprometer a laje.
O resultado mais impactante é o conforto térmico. Medições feitas com sensores por pesquisadores da UFRJ na casa de Luiz registraram uma diferença de até 15°C entre seu telhado verde e a cobertura convencional de um vizinho. Em um dia quente, um termômetro marcou 27,8°C sob a cobertura verde, enquanto uma área próxima sem a vegetação estava a 33,9°C.
Além de refrescar a casa, a cobertura verde traz outras vantagens importantes para o ambiente urbano:
O modelo simplificado desenvolvido por Luiz Cassiano tem um custo estimado em R$ 5 por metro quadrado, utilizando materiais acessíveis como bidim e plantas adaptadas que exigem pouca manutenção.
A técnica é ideal para lajes de concreto ou telhados de fibrocimento e metálicos. É necessário que a superfície tenha uma inclinação mínima de 2% para permitir o escoamento da água e não possua bordas que a retenham, conforme orientação do biólogo Bruno Rezende à Casa e Jardim.
São utilizadas plantas rupícolas e epífitas, que precisam de pouco solo e têm raízes menos agressivas. Essa escolha evita danos à estrutura e infiltrações, um problema comum em tentativas com grama, cujas raízes são fortes e perfurantes.
A iniciativa de Luiz Cassiano com o projeto Teto Verde Favela demonstra que é possível criar soluções eficazes e acessíveis para combater os efeitos das mudanças climáticas em áreas urbanas vulneráveis. Mais do que um alívio para o calor, seu telhado se tornou um símbolo de inovação social e resiliência, mostrando um caminho para cidades mais verdes e saudáveis, construído de dentro para fora da comunidade.
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