A paraense Francielly Barbosa criou um tijolo sustentável com caroço de açaí, resolvendo um grave problema ambiental em Moju (PA). Sua invenção já coleciona mais de 20 prêmios. Saiba como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A jovem cientista paraense Francielly Rodrigues Barbosa desenvolveu uma solução inovadora para um grave problema ambiental na Amazônia: um tijolo sustentável feito a partir do caroço do açaí. A invenção, que transforma resíduo em material de construção, já rendeu à pesquisadora mais de 20 prêmios nacionais e internacionais. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O estado do Pará é responsável por aproximadamente 90% de todo o açaí consumido no mundo. No entanto, apenas 4% do fruto é de fato aproveitado, segundo dados de mercado. O restante, principalmente o caroço, é descartado de forma inadequada em ruas, rios e lixões.
Esse descarte massivo gera um grave impacto ambiental. "O caroço possui uma substância chamada lignina, que impede o ataque de fungos, demorando a decomposição", explicou Francielly à Revista Galileu. Esse processo lento causa mau cheiro, produção de chorume e a liberação de gás metano, um potente gás de efeito estufa.
Inspirada por uma professora e pelo problema de rachaduras em casas construídas sobre aterros de lixo orgânico em sua cidade, Moju (PA), Francielly começou a pesquisar uma alternativa de baixo custo. O projeto iniciou quando ela ainda estava no primeiro ano do ensino médio.
O processo inicial envolvia secar, carbonizar e triturar os caroços em um pilão. A massa resultante era então misturada com argila para formar o tijolo. Com o avanço da pesquisa, o processo foi aprimorado para aumentar a sustentabilidade. "Para melhorar o impacto ambiental, decidimos segurar o carbono ao invés de eliminá-lo nesse processo e agora fazemos a ativação do caroço ainda cru", afirmou a pesquisadora ao Um Só Planeta.
Para validar a eficácia do material, o projeto conseguiu uma parceria com um laboratório da Universidade de São Paulo (USP). Lá, são realizados testes para medir a resistência e explorar outras aplicações na construção civil, como telhas, cimento e argamassa.
O projeto de Francielly ganhou notoriedade nacional e internacional. Na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), ela recebeu dez prêmios em 2018 e mais cinco em 2019. Uma das premiações foi uma viagem aos Estados Unidos, onde conheceu a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
A visibilidade levou à criação da iniciativa "Casa de Açaí", um braço do Clube de Ciências de Moju, fundado em parceria com a arquiteta Beatriz Cintra e sua orientadora, a professora Dannielle Siqueira. O projeto busca escalar a solução para beneficiar a população local.
A invenção é da pesquisadora Francielly Rodrigues Barbosa, de Moju (PA). Ela iniciou o projeto ainda no ensino médio, com o apoio do Clube de Ciências de Moju, e hoje cursa Engenharia de Produção na Universidade Federal do Pará (UFPA).
Sim. O material está passando por testes de resistência em parceria com um laboratório da Universidade de São Paulo (USP). O objetivo é validar suas diferentes aplicações para alvenaria, como telhas, cimento e argamassa, além dos tijolos.
O principal impacto é ambiental e social. A invenção dá um destino útil para toneladas de caroços que seriam descartados, evitando a poluição e a emissão de gás metano. Além disso, o processo de fabricação não exige fornos, o que reduz a emissão de CO².
A criação de Francielly Barbosa é um exemplo poderoso de como a ciência e a inovação podem surgir de problemas locais para oferecer soluções globais. O tijolo de açaí não apenas mitiga um sério problema ambiental na Amazônia, mas também representa uma alternativa de construção acessível e sustentável, inspirando uma nova geração de cientistas no Brasil.
Por mais de 40 anos, Jadav Payeng plantou árvores diariamente na Índia, criando sozinho uma floresta de 550 hectares que hoje abriga tigres e elefantes. Conheça a jornada do "Homem-Floresta".
Com investimento em energia renovável, megaloja da Havan em Palmas (TO) passa a gerar a própria energia com sistema Grid Zero. Saiba como funciona.
Conheça projetos de bioconstrução que usam solo, madeira e resíduos para erguer moradias até 70% mais baratas e com maior conforto térmico no Brasil.
Pneus que seriam focos de dengue e poluição são triturados e usados como combustível em fornos de cimento. Saiba como o coprocessamento reduz emissões de CO2.